Hoje o Bom Dia Brasil apresentou uma reportagem sobre o alto índice de reprovações dos estudantes universitários (em curso e recém formados) em processos de seleção por erros de português. Como professora universitária, vivencio essa realidade de perto, e é um panorama triste. Nossos alunos não gostam de ler, não conhecem a língua pátria e também não têm interesse em aprender. Acredito que isto só irá mudar com o incentivo da leitura na infância, transforme em um hábito em sua casa, dê o exemplo e não abra espaço para argumentos como “não gosto, é chato”, o futuro do seu filho agradece… Na minha casa, os livros da Ciça (sim, ela já tem alguns) e os meus ficam em locais de fácil acesso. Permito que ela folheie, aprecie as figuras, enquanto eu conto a história. O mesmo com as revistas.

A data de hoje é conhecida como o dia da Leitura Infantil, devido ao aniversário de Monteiro Lobato, o pai do faz de conta no Brasil. Já vimos em posts por aqui sobre a importância da fantasia para a criança e nada melhor do que a leitura para isto. Apresente ao seu filho Narizinho, Emília, Pedrinho, Dona Benta, Visconde, e tantas contações (não posso me esquecer da Cuca, personagem que fez parte do meu imaginário durante toda a infância). São 31 títulos a sua escolha, assunto não irá faltar!

Adélia Prado, Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Pablo Neruda, José Saramago, grandes autores já escreveram para crianças também. E já que o assunto é incentivo, aproveite e visite a Bienal do Livro no próximo mês!

E como estamos falando do Sítio, adoro esse trecho da conversa da boneca com o sabugo:


“ (…) _ A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. É, portanto, um pisca-pisca.
O Visconde ficou novamente pensativo, de olhos no teto.  Emília riu-se.
_ Está vendo como é filosófica a minha ideia? O Senhor Visconde já está de olhos parados, erguidos para o forro. Quer dizer que pensa que entendeu… A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
_ E depois que morre? – perguntou o Visconde.
_ Depois que morre vira hipótese. É ou não é? 
O Visconde teve de concordar que era.” . 
(Livro: Memórias de Emília)