Antes de engravidar, um dos meus maiores medos era saber se um dia eu voltaria ao peso normal. Durante a gestação, eu tinha mania de perguntar pra toda mãe que aparecia na minha frente quanto tinha engordado, quanto tinha emagrecido, quanto tempo demorou para emagrecer, se fez ginástica, se comia chocolate e por aí vai…. E dava aquela analisada clínica checando o tamanho da barriga que sobrou depois do nascimento do baby…

Fiquei arrasada, por exemplo, quando vi Gisele Bündchen desfilando impecável 3 meses após a gravidez (quem não ficou arrasada?).

Mal sabia eu que a rotina pós-baby se encarregaria de fazer o meu peso voltar ao normal rapidinho também.

Eu não cheguei a tanto, mas sei que muitas mães já vão para o parto prontas para enfrentar uma cirurgia plástica, tudo combinado antes com os médicos, para não correr o risco de levar meses para ter coragem de se encarar no espelho novamente.

Acho que dependendo do grau de neurose, essa história vai virando um distúrbio mesmo.

Confiram matéria recente de portal on-line de Minas:

“Quem olha por trás nem percebe a barriga. A silhueta das grávidas de Hollywood mal acusa a presença de um bebê. Atrizes como Selma Blair, Angelina Jolie e Natalie Portman exibiram, durante a gestação, um corpo próximo da perfeição. Mas, a que preço?

O medo de perder a cinturinha perfeita na gestação logo se espalhou pelo mundo. No Brasil, não é diferente: estrelas como Daniele Suzuki e Claudia Leitte foram alvos de polêmica durante suas gestações. A última, principalmente, quando anunciou a perda de 7 kg apenas dez dias após o parto.

O ideal de beleza das estrelas pode ser atingido com o apoio de nutricionistas e especialistas em exercício durante a gestação. Quem não tem acesso ao acompanhamento constante, porém, pode acabar caindo na “mommyrexia”. O termo, mistura entre as palavras “mamãe” e “anorexia”, em inglês, refere-se ao distúrbio de restrição à alimentação e aversão à comida que algumas gestantes sofrem durante a gravidez.

“A pressão social pelo corpo perfeito é tanta que muitas pessoas desenvolvem distúrbios alimentares. Eles já são graves normalmente, mas a nova onda de estrelas grávidas esbeltas têm colocado em risco a vida não só dos bebês das pessoas comuns, mas também das mães”, afirma a psiquiatra Ana Maria Costa Lopes, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

“O que pouca gente considera, porém, é que existe uma diferença grande no metabolismo das pessoas”, diz Ana Maria. A Gisele Bündchen, por exemplo, não se manteve magra só na gravidez. “Não fez regimes loucos para obter a curva perfeita da barriga na gravidez”.

Para evitar problemas na sua gestação, Claudianne Carneiro, 28, engenheira ambiental, fez uma programação de emagrecimento antes. “Estava acima do peso. Então, decidi colocar a saúde em ordem antes de embarcar nessa aventura”, explica. “Eu me preocupo com o meu corpo e sabia que ele iria mudar durante a gestação”, diz. Hoje, com seis meses de gravidez, ela mantém a forma com três sessões semanais de alongamento e exercícios com um personal trainner.

Anorexia. Ana Maria explica que a anorexia na gestação é comum, principalmente em mulheres que já apresentavam comportamentos de risco. “Há estudos que apontam o início da obsessão pelo corpo magro nos três primeiros meses de gestação, quando muitas sofrem da aversão a determinados alimentos”, diz. Segundo a psiquiatra, elas estendem a fase do enjoo para comer menos ou até absolutamente nada.A anorexia pode ser classificada em níveis que chegam até o gravíssimo. Contudo, mesmo quando o caso não é grave, a restrição alimentar pode prejudicar a saúde do bebê e da gestante. “É normal ter enjoo nos três primeiros meses. Contudo, a família precisa ficar atenta à causa dessa aversão. Se for fruto de uma obsessão pelo corpo perfeito, é preciso buscar ajuda psicológica”, alerta Ana Maria.

SEM LIMITES
Elas querem plástica já no parto

A obsessão pelo corpo perfeito é inimiga da paciência. Segundo a ginecologista e obstetra Tânia Paszternak, muitas mulheres têm pressa para voltar ao corpo normal. A médica, que já recebeu em seu consultório gestantes que queriam aproveitar a cesariana para fazer uma cirurgia plástica, explica: “Elas são ansiosas por causa do desespero. A gravidez chega a tal ponto que já não se reconhece mais o próprio corpo. Muitas têm medo de que o resultado seja permanente”, conta. Segundo Tânia, o corpo leva até um ano após o nascimento do bebê para voltar à forma original. “Na hora do parto, perdem-se cerca de 8 kg. Boa parte do excesso de peso desaparece nesse momento. O resto requer um pouco de paciência”, diz.

Para o presidente da Regional Minas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Cláudio Salum, a cirurgia é absolutamente contraindicada. “O risco é enorme. Além disso, a junção do pós-parto com o pós-cirúrgico é um desconforto inimaginável”, diz. A obstetra concorda. “Por isso, o pré-natal é importante. Elas precisam estar psicologicamente preparadas para as mudanças. Assim, é possível evitar demandas radicais nos momentos de tensão”. (LA)

Fonte: O Tempo on-line