Ter medo do escuro, do bicho papão, de dormir sozinho, de fantasmas, bruxas e vampiros é natural no universo infantil. Mas ter medo de botão (daqueles da roupa mesmo!) é algo inusitado. Pelo menos pra mim. Davi tem medo de botões. Nunca pensei que alguém poderia ter esse tipo de fobia. Mas ele tem. Percebi isso cedo, quando ele tinha três anos e achei que fosse apenas uma fase, uma simples mania que iria se esvair de acordo com o seu desenvolvimento cognitivo. Ledo engano. 

Aos seis anos, Davi tem personalidade forte e demonstra saber bem o que quer. E roupas com botão não estão em sua lista de preferências. Pra mim, isso se tornou um suplício na hora de escolher o que comprar para ele. Até um simples ilhós numa bermuda é motivo para recusa. 

Recentemente, compramos cinco bermudas (escolhidas por ele, diga-se de passagem), mas quando ele descobriu que havia ilhós no buraco onde passavam-se as cordinhas na cintura, não quis mais vestí-las. As bermudas estão lá no armário, intactas, novinhas, ainda com as etiquetas, aguardando Davi vencer mais essa etapa. “Prometo que na semana que vem, quando a gente for na pracinha, eu uso tá mãe?”, ele sempre diz. E eu, assim como as bermudas, aguardo.

Pior é quando eu ou o pai dele estamos vestidos com qualquer peça de roupa que tenha botão! Nada de abraço, beijinho, ou qualquer manifestação de carinho. Se quisermos um chamego do pequeno, temos de trocar de roupa, acreditem.

Não acho que esse comportamento seja motivo de uma preocupação que me force a buscar a orientação de um especialista. Pelo menos por enquanto. De qualquer forma, recorri ao “tio google” e descobri que esse tipo de fobia é mais comum do que eu imaginava. E que tem até nome: koumpounofobia. E que Steve Jobs, o gênio do mundo moderno, cofundador, presidente e diretor executivo da Apple, também tinha fobia de um simples botão. É… Vivendo e aprendendo com Davi.

Em tempo: leia mais sobre a fobia aqui.