O que uma mãe quer para os filhos? Que eles cresçam saudáveis e felizes, distantes de todo e qualquer tipo de violência, dos perigos que a vida oferece. Costumo dizer que deveria haver um jeito de voltar com os meus meninos para dentro da minha barriga. Lá, pelo menos, eles estariam protegidos, bem juntinhos a mim. Puro egoísmo da minha parte. Mas ser mãe é ser egoísta também. É inerente. Faz parte da função.
Mas quando João Lucas nasceu eu mal sabia o que era ser mãe. Nem passava pela minha cabeça ter um filho naquele momento. Ele veio de surpresa, totalmente sem planejamento. Foi, de fato, um acidente de percurso (esse é tema para um outro post). Eu estava num momento turbulento, fazendo duas faculdades simultaneamente – jornalismo e pedagogia -, mergulhada de cabeça nos estudos. Ter um filho nem era a última das minhas possibilidades. Essa possibilidade simplesmente não existia. Eu tinha 23 anos.

O curioso é que a certeza da gravidez não me entristeceu, muito menos me desesperou. Talvez por eu ter encontrado em meus pais o apoio necessário para continuar seguindo o meu caminho da mesma forma como eu havia seguido até ali, até a notícia da chegada do João. Obviamente, tive algumas dificuldades, mas consegui superá-las. Fui obrigada a trancar o curso de pedagogia por exemplo. Estudava à noite na UEMG e, pela manhã, cursava jornalismo na FAFI -BH, atualmente UNI-BH. Ficava muito cansada e o cansaço era proporcional ao tamanho da barriga. E o meu amor pelo João também.

O João Lucas me ensinou a ser mãe. Ele me ensinou a ser a mãe dele e ser uma mãe melhor para o Davi. Criei o João sozinha. O avô era a referência paterna dele e minha mãe me ajudava quando eu precisava estudar, ou trabalhar. Tinha muito medo do futuro, do que a ausência do pai poderia influenciar na formação intelectual do meu filho. Nosso vínculo se fortaleceu por causa disso.

Daí eu tive medo do mundo, eu temi a crueldade da vida e me sentia frágil diante da possibilidade de perder meu filho, tão novo, para esse universo. Então, fui à luta. Eu tinha uma longa e extensa batalha pela frente. Fiz o que toda boa mãe, mesmo sem saber como (isso também é inerente), faria. Dei carinho, muito carinho! Fui compreensiva quando necessário e austera quando a situação exigia. Tornamo-nos companheiros e cúmplices, amigos de verdade. Treze anos se passaram e João se tornou uma pessoa de caráter invejável. O meu medo ainda existe. Ele só vai acabar quando eu morrer. Mas João Lucas me proporciona tanta felicidade que não há mais espaço em minha vida para tantas aflições.

Até o próximo post!