“Quando nasce um bebê, nasce uma mãe”, a velha máxima precisa ser completada: “Quando nasce um bebê, nasce uma mãe e o mundo vira uma panela de pressão!”.

Logo que o bebê inicia sua vida social, nos deparamos com as indagações e comparações alheias (conhecidas e desconhecidas):
– Está só no peito?
– Nossa, mas ele toma fórmula? Você não sabe que leite materno é fundamental?
– Dorme a noite toda?
– Já engatinha?
– E o dentinho, já apareceu?
– Ainda não anda? Fulano tem a mesma idade e já até corre…
– Esse choro é de fome, vai por mim…
– Já fala tudo?
– Já está na escolinha?
– Já pensa no irmão?
E por aí vai…

As visitas ao pediatra tornam-se competições, o meu faz isso, o meu aquilo, o meu dormia assim, o meu assado… Logo que a Sara recebeu alta e ia fazer sua primeira visita ao pediatra, lembro-me de comentar com a Miriam: “- não se assuste se encontrar com outras mães e elas começarem com as comparações…”. Não me isento disso, por várias vezes me peguei questionando uma outra mãe sobre o desenvolvimento de seu filho e pensando em como estava o da Cecília (como se eu fosse especialista para entender disso)! Já vivi algumas saias justas por conta dessa curiosidade e tento me controlar…

Muito me supreende é que a grande maioria dos questionamentos, pitacos e comparações sejam de pessoas que já são pais, porque aqueles que ainda não são a gente releva. Afinal, nem nós sabíamos tudo antes de nos tornarmos pais, né? O chato disso tudo é quando a pressão acaba influenciando a criança, quando ela já começa a entender as coisas. E ela cresce sempre se comparando ao coleguinha, primo,  irmão, vizinho. Os problemas de baixa estima já começam na infância por isso.

Nesse último domingo, estávamos almoçando em um restaurante e próximo a nossa mesa havia uma menina da mesma idade que a Ciça com seus pais. A mãe ficou o tempo todo olhando para a nossa mesa e se dirigindo a filha:
– “Fulana”, a menininha está comendo tudo e você não come nada….
– Ela tá te achando boba! (Imagina, gente, uma menina de um ano e seis meses achar a outra boba!)

Tentei me colocar no lugar da mãe e imaginei que ela poderia estar angustiada com essa fase em que as crianças não querem comer nada (também passei por isso), avaliei (e julguei, confesso) o que tinha no prato da menina (tinha feijão, angu e batata frita), cogitei se a alimentação não estava errada (e quem sou para afirmar isso…). Conclui que essa tática também não é saudável, a criança já cresce pressionada, com sentimento de competição, de que tem que ser melhor em tudo. Toda criança tem seu tempo e sua fase….

A Ciça sentou com 6 meses, engatinhou com 7/8 meses, andou com 1 ano e 2 meses e, agora, com 1 ano e 6 meses tem falado um pouco mais além de papai, mamãe, vovó… Mas o seu vocabulário se restringe a umas 10 palavrinhas. Não é culpa da chupeta, não é culpa dos pais, ela não é preguiçosa, ela está no seu tempo, e não fui eu quem disse isso, mas a pediatra. A pressão externa é tão grande que muitas vezes entro numa onda meio paranóica, e aí a pediatra e as amigas experientes sempre me acalmam. Afinal, eu sou uma mãe normal, que não vê a hora de sua filha mostrar uma novidade!
Então, como podemos amenizar a situação? Como conviver bem com isso? Precisamos ter jogo de cintura para lidar com os pitacos alheios e praticar a boa vizinhança. E, claro, quando não tiver em um bom dia, a gente aceita uma resposta direta, mas com educação (algo do tipo: aham, vou ver…). E, vocês, como lidam com isso?