Cara de quem acabou de enfrentar a cidade inteira para conseguir entrar no ônibus

Semana passada viajei com a Sara pela primeira vez de ônibus, percorremos um trajeto de nove horas. Antes de encarar essa aventura, quis entender o que esperar dessa viagem. Pesquisei na internet – mas  não achei quase nada sobre o assunto – e com as amigas mamães. O que fazer com um bebê durante tanto tempo dentro de um ônibus?

Conheci histórias de gente que levou o bebê-conforto junto, fixou-o na cadeira do ônibus e lá foi o baby dormindo pela estrada afora. Nesse caso, claro, foi necessário pagar por uma passagem a mais para o pequeno, já que ele ocupou um lugar exclusivo. Mas ele vai dormindo quase o tempo inteiro, então ótimo, a mamãe idem, feliz da vida.

Só que com um ano a história é outra, né? Primeiro, porque eles já não cabem no bebê-conforto. E levar a cadeirinha do carro passa a ser uma ideia de jerico, tão grande ela é. Eu ainda não sei porque as viações não oferecem uma cadeira de bebê para levarmos nossos filhotes em longas viagens. Se os restaurantes oferecem cadeirinha para as crianças, os ônibus e aviões também deveriam se preocupar com isso, não? Por que, povo do meu Brasil, não existe outra maneira de se viajar com um bebê de ônibus, que não seja no colo da gente?

Antes de partir, eu me perguntava: será que ela vai ficar quieta? Será que vai sujar a fralda? E se começar a chorar? E se o povo reclamar?

Optei pela viagem noturna. Se vamos atravessar o estado, que seja à noite, no horário normal dela dormir, quem sabe isso ajuda… Só não lembrei que a data da viagem coincidia justamente com o início das férias escolares de julho. Então, lá estávamos nós na rodoviária: eu, a Sara no colo, a bolsa da Sara em um braço, a sacola térmica no outro braço, o marido com duas malas, com o berço, com o colchão do berço – e mais todo o resto de BH esperando seus ônibus, juntos, no mesmo lugar, na mesma hora. Acho que o Natal chegou e esqueceram de me avisar. Sabe aquela visão do alto da escadaria da rodoviária, quando, lá de cima, você enxerga um mundão de gente lá embaixo? Pois é. Ali eu já sabia o que colocaria neste post: “como viajar com um bebê de ônibus: simples: não viaje. Pegue um avião, ou então volte pra casa correndo.”

Respiramos fundo, o ônibus atrasou por volta de 20 minutos, a Sara querendo de todo jeito ir para aquele chão limpinho da rodoviária e o calor aumentando. O ônibus chegou – graças a Deus – larguei tudo nas mãos do marido e subi antes de todos para ocupar nossos sonhados lugares.

Lá de dentro, o quadro todo se transformou. Sentamos com calma, enquanto o pai enfrentava o resto de BH e colocava as malas no bagageiro. A Sara adorou ver aquele monte de cadeiras enfileiradas e aquelas janelas enormes. Ela olhava tudo e todos e balbuciava, apontava, sem nem perceber o que tínhamos acabado de enfrentar.

Pouco depois, o marido aparece com o sorriso de costume no rosto e todos foram se acomodando. Ótimo, agora só precisávamos aguardar o motorista ligar o ônibus, as luzes se apagarem e a Sarinha dormir com aquele balançar gostoso, como sempre acontece.

Claro, não foi tão simples assim. Achando-me muito esperta, dei a mamadeira para ela ainda em casa – “assim não corremos o risco dela vomitar, passar mal ou sei lá o quê”. Acontece que, já de barriguinha cheia, ela estava com gás total e queria sair andando pelo ônibus afora. Haja bico, cantorias, paciência e cara de pau para conseguir acalmá-la. Pedi inclusive para Nossa Senhora dar uma mãozinha, ajudando a ninar a pequenina. E ela logo dormiu.

O restante da viagem foi quase tranquilo. Levá-la no colo durante todo o trajeto não é a situação mais confortável do mundo, mas estando com outra pessoa ao lado para revezar, ajuda bastante. E não vou dizer que é ruim ficar com a pequena enroscadinha no colo dormindo, porque afinal de contas, essa é uma das partes gostosas de ser mãe 🙂

Dois dias depois da viagem – que foi muito bacana, a Sarinha conheceu o mar! – lá estávamos novamente no busão, voltando para BH. E a lição da volta foi a seguinte: para ela adormecer mais fácil, a mamadeira dentro do ônibus foi um achado. Se o bebê não fica enjoado facilmente nas viagens, é um ótimo recurso dar a mamadeira com o ônibus já em movimento para que ele se acalme e adormeça do início ao fim da viagem. Rapidamente, a Sara dormiu, logo após um bom leitinho, sem chororô.

E lá fomos nós no revezamento, para ela se sentir confortável e continuar sonhando com os anjinhos até chegarmos em casa. Um outro detalhe que vale ressaltar na viagem de ônibus é sobre o frio. Como dependemos da boa vontade dos motoristas, que resolvem cada hora colocar o ar condicionado em uma temperatura diferente, é preciso encapotar bem os bebês. Coloquei meia calça grossa, meia, body de manga comprida, blusa de frio de capuz, gorro e levei uma mantinha bem quentinha. Mas ainda achei que ela passou um pouco de frio, especialmente na volta, quando o motorista foi um bocado impiedoso.

Saldo da viagem: um pai exausto, uma mãe feliz por ter dado tudo certo e uma menininha com mais uma experiência em sua longa vidinha de um ano!