Os primeiros anos de vida dos bebês passam rapidamente. Em pouco tempo pode-se observar grandes e importantes mudanças no comportamento social, na conquista de autonomia, no desenvolvimento motor e também no uso da linguagem.

Embora haja uma grande confusão entre o que é fala e o que é linguagem, trataremos aqui linguagem como um instrumento que a criança vai aprender a usar à medida que vai crescendo, se desenvolvendo, conquistando amadurecimento motor, emocional e psíquico. A fala é um recurso que materializa a linguagem, mas não podemos pensar que sem fala não temos linguagem.

O post da Flávia Pellegrini contando os feitos linguísticos de sua pequena me deixou com vontade de escrever sobre o tema, apesar de já ter abordado a questão do desenvolvimento da linguagem. Dessa vez vamos conhecer alguns dos aspectos da linguagem e como podemos observar essa evolução com nossos pimpolhos!

O desenvolvimento da fonética e da fonologia podem ser observadas desde muito cedo. Tão logo os bebês começam o balbucio (aqueles sons sem significado, geralmente por volta dos 4-6 meses) podemos pensar que eles já estão ensaiando os sons que ouvem dos adultos. Daí surgem o “ma ma ma” que depois vira mamãe, “pa pa pa” pode ser papai ou papá, “da da da” e outros. 
:: Os adultos podem aproveitar a fase do balbucio para ensinar “caretas” aos pequenos. Mais do que fazer “cara feia”, nesses momentos a criança está exercitando os músculos e as estruturas que usa para falar, mastigar e engolir alimentos. Essa prática contribui para torná-los mais fortes!
:: É importantíssimo que todos conversem com as crianças. A diversidade de estímulos (pessoas e objetos) enriquece as experiências e acrescentam informações para um melhor desenvolvimento da linguagem.
:: Falar corretamente com as crianças contribui para elas compreenderem como os sons são produzidos (fonética), fazerem diferença entre sons parecidos (“ba” e “pa”, por exemplo são sons produzidos com ambos os lábios tocando, mas há algo que faz com que na hora em que sejam ditos apareça uma diferença – fonética e fonologia) e facilita a aprendizagem sobre o uso da língua. 
Na sequência aparecem as primeiras palavras. Nesse momento vemos o início do desenvolvimento do léxico. É o estoque de palavras ou a quantidade de palavras que ele conhece e sabe falar. A criança também se comunica nessa fase por gestos e olhares. Descrever com clareza e detalhes as ações diárias contribui para o aprendizado de novas palavras.
Pode acontecer de a criança aprender uma palavra, mas desconhecer seu significado. Então vamos vê-la empregando essa palavra num contexto completamente deslocado. Isso gera situações engraçadas na maioria das vezes.
A sintaxe, dos aspectos tratados aqui, será construída ao longo do tempo. Usar adequadamente o plural, conjugar os verbos corretamente, compreender e usar noções de tempo (ontem, hoje, amanhã) são aquisições que estarão mais bem consolidadas por volta dos 4 anos. 
Desenvolver linguagem é muito mais do que falar. É ser um interlocutor ativo nas diferentes relações sociais e isso quer dizer que a linguagem deve comunicar sobre o que o sujeito pensa, quer, conhece, sente, etc. Também deve refletir o que compreendeu, suas necessidades. Esse desenvolvimento permite à criança fazer parte de uma cultura e construir valores.