No colo do papai, esperando o leitinho da mamãe

A amamentação da Sara começou de um jeito meio atrasado, meio “torto”. Mas nada nessa vida acontece por acaso, não é?

Antes dela nascer, estudei muito, muito, sobre como amamentar da forma correta. Participei de dois cursos de gestantes, li e reli a apostila de um terceiro, comprei livros, pesquisei na internet.

Não vou dizer que resolveu a minha vida, no máximo, ajudou bastante. O que me salvou mesmo foi toda a orientação das enfermeiras da UTI onde ela passou os 15 primeiros dias de vida. Elas me ensinaram a ordenhar e a amamentar.

Pois é, aquela história de pegar o bebê no colo e dar o peito logo que nasce pra mim nunca existiu. Tive que esperar uns dias até pegar a Sara no colo e mais outros dias até poder amamentá-la de verdade. Até lá, aprendi – com louvor! – a ordenhar. A minha pequena não podia mamar no meu peito, mas conseguia receber o meu leite. Eu a visitava todos os dias pedindo a Deus força para que ela ficasse boa logo e para eu conseguir tirar o meu leite direitinho. Eu só pensava nos nutrientes e anticorpos que ela precisava para se recuperar.

Ver a sua filhinha e não poder amamentá-la é dureza. Ainda mais tendo estudado tanto antes, o que me mostrava a importância do leite materno.

Para que ela recebesse meu leite, funcionava assim: eu entrava na UTI, fazia um carinho nela, depois colocava uma touca na cabeça e uma máscara descartável no rosto. A enfermeira também me dava um pequeno potinho, onde o leite era colocado. A primeira vez que vi todas as mães ordenhando fiquei um tanto chocada com aquela cena bizarra, um monte de mulher com as peitas de fora. Só que ninguém está nem aí para o pudor nessas horas, estão todas só pensando em encher os tais potinhos. E é um tal de trocar ideia no final do dia: “quanto você conseguiu tirar hoje?” “Ah, só 10mL…””Não se preocupe, no início é assim mesmo. Eu comecei com pouco, hoje já encho 3 potinhos…” Uma vai dando força para a outra e é vida que segue.

Depois da ordenha, os potinhos são entregues para as enfermeiras, que os identificam com o nome do bebê e a data, porque eles só duram 12 horas, se não me engano. Aí, guardam na geladeira e vão oferecendo para os pequenos pela sondinha ou pela “chuquinha”, aquela mini-mamadeira.

Eu tive a felicidade de aprender com quem mais entende de ordenha e pude oferecer para a minha filhota, mesmo que na mamadeira em seus primeiros dias de vida, um leite forte que a ajudou a melhorar rapidamente.

Só que muitas mães não têm essa felicidade. Não podem amamentar seus pequenos, por inúmeros motivos. E ver seu pequenino precisando dos nutrientes maternos sem poder fazer nada, é de partir o coração.

Por isso, se você tem leite em excesso e tem condições de doar, não deixe de fazê-lo. O leite materno salva, sim, as vidas de muitos bebês.

Em Minas Gerais, temos muitas opções de Banco de Leite Humano, veja:

Banco de Leite do Hospital Odilon Behrends (Belo Horizonte): 31 3277 6137
Banco de Leite da Maternidade Odete Valadares (Belo Horizonte): 31 3298 6008
Outras cidades de Minas Gerais
Leite é amor – doe!

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva com objetivo
de incentivar a doação de leite materno aos Bancos de Leite.
Saiba mais informações de como doar clicando no selinho