Fala-se muito do instinto materno – as mães são sempre lembradas como o centro e esteio da
estrutura familiar, e, justificadamente, recebem grandes homenagens no dia dedicado a elas. Na era
pós-moderna em que vivemos, o modelo padrão de família tem mudado, assumindo várias feições,
normalmente chamada de família-mosaico.

Nesse burburinho, a figura do pai-provedor, pai-disciplinador, pai-monolito, vai se desfazendo, e
surgindo outras feições: pai-afeto, pai-companheiro, pai-brincalhão, pai-conselheiro, mesmo que
seja o padrasto ou o pai adotivo.

Este post faz parte da série escrita
exclusivamente por pais, uma homenagem
a todos os super-heróis da criançada

Aliás, é nesta condição que me encontro. Miguel, enteado, chegou primeiro. Foram as primeiras lições de paternidade. Não é fácil. O pai sanguíneo existe e está bem presente. É possível conviver
assim? Miguel tem ensinado que sim, à custa de algum sofrimento e ruídos na comunicação, mas também com muita superação! O meu aprendizado de pai passa por participar ativamente de seu
acompanhamento escolar, conselhos, relação de confiança, permeados de bom humor!

Após esse treinamento, já estava preparado para receber o Rafa, cuja gravidez representou uma espera de 4 anos. Nasceu do coração. Paixão imediata. É o sinal da existência de Deus! De lá pra cá, são cinco anos muito intensos, quando somos obrigados a sair no nosso mundinho egoísta e desenvolver alteridade – a capacidade de enxergar e se preocupar com o outro. Uma verdadeira
realização!

Enfim, para sermos pais não é necessária a reprodução dos próprios genes, e sim a transmissão do
amor, do querer cuidar, da torcida pela realização dos rebentos – características do instinto paterno
em seu viés mais profundo!

Luiz Eduardo é pai do Rafael, 4 anos, e do Miguel, 14 anos.