Mudanças geram um processo de adaptação para todo a família, mas, na maioria das vezes, as crianças são as que mais sofrem, ansiosas pelo novo, pelas surpresas, ou temerosas pelo desconhecido. Tenho vivenciado uma mudança na dinâmica/rotina familiar, e que será assunto de outro post, pois hoje falaremos da mudança de residência para outro Estado. E agora, como será o processo de adaptação das crianças? A Kaori, direto de Porto Alegre, conta como foi e como está sendo o processo!

Quando minha caçula tinha 4 meses nos mudamos! Eu sei que parece loucura, mas já tínhamos comprado o apartamento antes de seu nascimento, mas devido a burocracia, não foi possível mudar de imediato.
Mudar com duas crianças (de 1 ano e 4 meses e outra de 4 meses) não foi difícil, talvez porque os apartamentos se localizavam a poucos quarteirões um do outro. Talvez porque os meninos fossem menores mesmo… Passou-se quase dois anos e nos mudamos de novo! Mas dessa vez para 1.700 km de distância, longe de tudo e de quase todos os que amamos. Saímos de BH e viemos para Porto Alegre. Deixei para trás minha maior orientadora sobre maternidade, minha irmã, meu maior suporte na vida, minha mãe, deixei para trás meus risos e raivas embolados juntos de um jeito que só meu irmão mais velho sabe fazer. Deixei para trás meu pai amado, minha razão. Minha sogra doce e cunhadas bacanérrimas, quase irmãs. Deixei tios, tias, primos e primas, e olha que somos uma família grude!

E o que vim fazer no Sul, com dois bebês, um marido, um cãozinho e sem emprego? Dar qualidade de vida aos meninos. Andava na verdade inquieta, talvez no fundo tenho alma de cigana. Mas uma cigana que é mãe não pode simplesmente pegar suas coisas, colocar os filhos debaixo dos braços e mudar. Precisa pensar em como será essa adaptação, como será a falta dessa família tão próxima. Precisa pensar em como será não ter alguém para deixar seus filhos se precisar.

Bem, eu iria dizer: “Nó, foi muito mais fácil do que eu esperava, eles se adaptaram sozinhos!”, mas peraí! Eu e meu marido fizemos nossa parte sim! Começamos conversando com os meninos, explicando que iríamos mudar. Mudar para longe, que não daria para ver sempre as vovós, as primas. E contamos da cidade, do trabalho do pai…

E a mudança?



Primeiro, deixamos os meninos com meus pais e viemos organizar a casa. Como comemoramos os aniversários de ambos uma semana antes, aproveitamos os presentes e distribuimos pelos novos quartos, e quando eles chegaram ficaram encantados! Me preocupei para organizar a casa de forma mais parecida possível com a de BH, para que eles se sentissem confortáveis.

A primeira semana

Meu marido decidiu tirar férias nesse período, mas o Kenzo ficou mais agressivo, nervoso. Precisei me controlar, afinal, os tirei do mundo organizado deles, cheios de amor e os trouxe para outro, com amor a distância. Tive que ter paciência, ele associou Porto Alegre a ter o pai ao lado o tempo todo, o que eu não queria. A Mayumi ficou mais dengosa, querendo colo o tempo todo, receosa desse novo mundo…

Para distraí-los, passeamos muito, viajamos para Gramado e com o tempo eles foram se acalmando.
Acredito que o que mais ajudou na adaptação, foi o meu marido voltar a trabalhar, rs… Assim, os meninos entraram na escola, e a vida voltou a rotina normal. Até para a Mayumi, que não ia a escola, mas já queria desde a entrada do irmão. 
Eles sentem a falta da família, pedem para falar todos os dias com os avós.  Hoje o Kenzo do nada me perguntou se não dava mais para ir a casa da vovó de carro, se era só de avião… E sempre íamos a casa da minha mãe, do nada eu os colocava no carro para ver a vovó. Acho que ele está sentindo falta disso e eu confesso que eu também…
A nova escola 

Visitamos umas oito escolas no bairro, cada uma de um jeito, com uma filosofia, decidimos pela que a disciplina se parecesse mais com a de casa. Optamos por uma escola pequena, fui conquistada pela diretora e sua postura. No dia da visita, eles se sentiram super bem, porém, no primeiro dia de frequência, foi uma dureza. Muito choro, Kenzo pedia pelo pai, fiquei aflita, receosa pela escolha. Fiquei aliviada a partir de um encontro no estacionamento de um supermercado com a diretora, quando o Kenzo a chamou empolgado: Tia Ju. Nessa hora me deu alívio, se ele a chamava e não se escondia era um ótimo sinal. E na segunda ele me disse que não iria chorar e foi assim…

E hoje?

Hoje, eu sinto que eles estão super bem ambientados, felizes. Com um pouco de saudades, o que é ótimo pois nossa família e amigos são importantes para eles. E agora estamos de olho nas promoções de voo para matar a saudade o mais rápido possível!. Espero que a minha vivência ajude outras mamães nesse processo de mudança ;) Porto Alegre é linda, tem ótimos espaços para as crianças, vale a pena a visita!