Escolher a melhor escola para os filhos, dentro de nossas possibilidades financeiras e ideológicas, é uma verdadeira batalha. No meu caso, melhor dizendo, duas verdadeiras batalhas. Meus dois filhos
estão em fase de transição escolar. João Lucas, o mais velho, vai para o primeiro ano do ensino médio. Davi, o mais novo, já está no ensino fundamental, mas por falta de turno compatível com a agenda familiar,
também vai mudar de escola. Como mediadora de processos distintos – é o preço que se paga por ter filhos com idades tão diferentes -, tento fazer o melhor e errar o mínimo possível. Mas, às vezes, lutar contra
o sistema é como dar murro em ponta de faca.

João Lucas quer fazer curso técnico e está se preparando para dois verdadeiros vestibulares nas duas maiores escolas técnicas de Minas. Ele está confiante na aprovação, mas a gente tem sempre de trabalhar
com a outra possibilidade. Como todo adolescente, João tem certa dificuldade para absorver os conselhos de quem tem mais experiência no caso. Não adianta dizer que temos de pensar em um plano B. Ele responde logo: “Eu vou passar, mãe.” E encerra o papo.

Contrariando o desejo dele, eu não ignoro o fato. Nem posso fugir dessa responsabilidade. Tenho selecionado algumas escolas dentre os destaques pelo alto índice de aprovação em vestibulares para
inscrevê-lo nos testes de seleção de novos alunos. Estou chocada com os valores das mensalidades que variam de R$ 850 a R$ 1.022 – as taxas de inscrição não são menores que R$ 60 – e torcendo (e rezando),
confesso, para que ele seja aprovado em uma das federais.

Já Davi, que está no estágio das operações concretas do desenvolvimento cognitivo-intelectual*, fez o primeiro teste de seleção e foi aprovado depois de uma hora de avaliação. A prova tinha cinco folhas! Isso deixou o Walner, educador e pai do Davi, possesso. “Como uma criança que vai para o segundo ano da nona série é submetida a uma prova de cinco páginas? Que supervisão pedagógica é essa?”, foi o questionamento dele ao diretor da escola, que não soube nos responder no momento e nos sugeriu uma reunião, posteriormente, para discutirmos sobre o assunto.

A reunião não ocorreu porque ainda não decidimos se será nesta escola que Davi estudará. Enquanto Davi fazia a prova, o diretor da escola se apresentava e apresentava a metodologia de trabalho aos pais. A
princípio, eu gostei. Eles trabalham com uma turma por série, tem música integrada ao currículo escolar, entre outras vantagens. É um colégio conceituado, desde a educação infantil até o médio e pré-vestibular, mas ao fim da exposição, com um comentário infeliz, o diretor se mostrou tradicional e opressor.

Passou um vídeo com cenas da novela de maior sucesso atual da Rede Globo, escolhidas a dedo para discursar sobre exposição dos filhos à violência. E ainda completou dizendo que um amigo só deixava os filhos assistirem a Carrossel, um remake da novelinha infantil do SBT. Fiquei chocada. Não sei quanto a vocês, leitores, mas penso eu que cabe a nós, pais, sabermos o que é melhor para os nossos filhos. Os meus vão assistir às novelas que quiserem, aos telejornais, aos filmes, simplesmente porque eles têm de estar preparados para o mundo. Eles precisam discernir sobre o que é certo e errado e esses valores são
transmitidos por nós em comunhão com a escola.

Depois da minha saga pela melhor escola, eu concluo que nenhuma delas está preparada para a transformação e formação do ser humano. Recentemente, fui em reunião de pais de alunos destaques na atual escola do João Lucas. E a supervisora disse com todas as letras que aquele era o perfil de aluno que o colégio queria. Fiquei chocada novamente. A escola deixou de ser escola. Ela não quer mais educar,
não quer ter mais trabalho, quer o aluno pronto e, de preferência, acima da média.

*Operações concretas (dos 7 aos 11 anos): A criança desenvolve o pensamento lógico, realiza operações mentais, mas apenas na presença dos objetos/situações. Consegue classificar objetos em diferentes
categorias, e adquire a noção de matéria, peso e volume. (Jean Piaget)