Sou mãe de uma adolescente de 13 anos, a Giovanna, e confesso que achava que tiraria de letra essa fase da vida dela, mas hoje me pego mergulhada em dúvidas e reflexões que compartilharei com vocês.

Há pouco tempo, minha filha era uma menina doce, compenetrada e, acima de tudo, companheira. É, a vida era simples. De uma hora pra outra, no entanto, as coisas foram mudando. A Giovanna ganhou jeito de mulher, uma vontade intensa de viver “tudoaomesmotempoagora” e uma mente analítica, racional, que me deixa abismada.

Na adolescência – reflexão minha – o que importa mesmo é o cálculo de relação custo x benefício! Antes, num feriado, por exemplo, eu proporia: “Gi vamos ver a exposição do Ronaldo Fraga na Praça da Liberdade e depois tomamos um sorvete?”. A minha companheira de todas as horas responderia: “claro, posso tomar o sorvete com duas bolas?”. Hoje, a conversa é bem diferente. 

 Acabamos de passar por um feriado e dessa vez ela não quis nem saber: “mãe, não animo de fazer esses programas seus não, eu tenho a minha vida né, agenda cheia, festa, vou dormir na casa da minha amiga, nem preocupa comigo”. E eu, como um cãozinho abandonado, abanando o rabo pra ela: “filha, vai ser tão divertido, vamos fazer um monte de coisas, passear, você tem que ampliar seus horizontes, já esqueceu como é bom?”. E a resposta dela vem imediata: “mãe, vou ser sincera, a vida é uma só, e agora é a minha hora, antes eu fazia seus programas porque não tinha os meus, hoje eu tenho minhas amigas, olha só véi – que gíria terrível é essa? – a palavra que mais amo é freedom e não é à toa, penso até, futuramente, em tatuar uns pássaros e essa palavra aqui nas costas, de tão significativa que ela é pra mim”. 

Confesso que nessa hora faltou ar! Logo eu que me achava uma mãe tão moderninha descobri que não gosto tanto de modernidades assim, e pensei baixinho pra ela não ouvir e me dar outro sermão: “quero a minha Gi das antigas, cadê a minha amiga, aquela menina que vivia grudada em mim e que

topava todos os programas sem cara ruim?”. 
E um sentimento estranho tomou conta, achei que não ia agüentar, mas fui lá viver a minha vida, convoquei minha sobrinha Isabella, dois anos mais nova que a Giovanna, pra me acompanhar no feriado. Nadamos, conversamos, vimos filme, foi ótimo. A Gi ficou na casa da amiga todos os dias. 
No domingo à noite, porém, fui buscá-la e, quando chegamos em casa, ela deitou-se na minha cama, aconchegou-se a mim, e voltou a ser aquela menininha tão próxima. Já quase dormindo, ela disse: “mãe, não vejo a hora de viajarmos de férias juntas, vai ser o máximo”. E eu me alegrei imediatamente com essas palavras, quando ela completou: “lembrei aqui que você disse que o hotel tem piscina aquecida e banheira de hidromassagem. Beleza mãe, bom que você pode bater perna à vontade e eu vou ficar só relaxando, na minha, tô salva!”. Tive que achar graça e dar o braço a torcer. É, a minha menininha cresceu, não tem jeito, melhor eu encarar os fatos, a Gi tá cada vez mais independente e madura e eu, na mesma proporção, mais carente e infantil! Sorrio e concluo: ê vida complicada, cheia de contradições!