Uma das coisas das quais mais me orgulho, como mãe, é de ter ajudado a minha filha a desenvolver o gosto pela leitura, a experimentar o prazer de ter contato com literatura de qualidade. Desde pequena, livros povoam seu universo. Começamos com as clássicas historinhas infantis, enveredamos pelas aventuras da bruxa Onilda, lemos juntas os maravilhosos livros com as peças de Maria Clara Machado, e, inclusive, curtimos muito assistir, no teatro, algumas delas, tais como o “O rapto das cebolinhas”.

Durante toda sua infância, Giovanna se encantou com a maravilhosa viagem proporcionada pelos livros e isso define, agora, seu gosto, já perceptível, pelas humanidades. Sempre ouviu de mim a seguinte frase, que, provalvelmente, aprendi com meu pai: “quem lê bem, escreve melhor”. Eu mesma já me peguei perguntando: de onde vem esse meu gosto por ler? Desde criança, também sou assim, leio desde
bula de remédio às poesias de Drummond, pra mim uma das mais refinadas formas de arte! Depois de um pouco pensar, vejo que segui o exemplo do meu pai, que sempre comprava livros e que mantinha sua pequena biblioteca de ótimos livros ao nosso alcance. Foi conferindo, curiosa, esse seu acervo, que me peguei lendo livros de Luis Fernando Veríssimo, Fernando Sabino e tantos outros. Lembro-me, como se fosse hoje, de pegar emprestado dele o livro “Amar em Cuba”, de Oswaldo França Junior e, numas férias escolares de julho, ter ficado em casa e, ao mesmo tempo, ter visitado Cuba!

Sim, os livros têm esse poder de nos transportar para lugares, realidades e vivências diferentes das nossas, tornando-nos cidadãos do mundo. Da mesma forma, acontece agora com a Gi. Ao entrar na adolescência, interessou-se por livros que dialogam com esse contexto de sua vida, e que agregam novas experiências e visões de mundo. Ela “devorou” os livros do escritor Sérgio Klein. Leu tudo dele: “A menina que era uma vez”, “A menina que era outra vez”, “Uma janela no espelho”, A coleção completa de “Poderosa”, dentre outros. Depois, foi a vez de conhecer os livros de Paula Pimenta, escritora mineira que conheço pessoalmente e que admiro – estudamos juntas na mesma escola. Giovanna apaixonou-se pela coleção “Fazendo meu filme” e também pela coleção “Minha vida fora de série”. Esses livros, escritos numa linguagem apropriada à sua idade e com referências ao seu mundo adolescente, tiveram e têm o papel fundamental de orientá-la nessa fase tão cheia de desafios.

Todo mundo sabe que conversar com os filhos na adolescência é algo complicado, pois então, perdi as contas de quantas vezes, empolgada com certos trechos dos livros que lê, Giovanna vem compartilhá-los comigo, e abre-se, então, a incrível oportunidade de trocarmos ideias, impressões e vivências, aproximando-nos uma da outra e possiblitando falarmos sobre tudo, amores, dores, temas delicados, nada escapa. Bom, e uma coisa que me dá a certeza de que esse processo de gostar de ler será contínuo é o amor que ela demonstra pelos livros. Às vezes, fazemos uma faxina no quarto, tirando as coisas que ela não usa ou quer mais, e livros são algo que ela nunca cogita dispensar. Até liberou alguns que leu pra escola, e que doei, mas aqueles que marcaram sua vida estão lá, quietinhos, esperando pela próxima
geração de leitores da família.