Nesse período de férias nós, mães, vivemos no paraíso. Ficamos grudadas nos filhos e tão apegadas a eles que, quando retomamos a rotina, passamos uns dias meio chorosas, com saudades dos momentos gostosos de intimidade e descontração.

Ao longo desses dias, entre o natal e o réveillon, fiquei disponível para que a Giovanna me apresentasse diversos blogs de moda, looks com roupas que ela curte e, inclusive, tutoriais no youtube com meninas que ensinam desde a fazer uma trança diferente até a customizar roupas. E foi assim que eu e ela tivemos a ideia de conduzir um projeto juntas: criar uma peça de roupa única, personalizada, diferente de todas as outras que estão nas lojas. Depois de assistirmos muitos vídeos e aprendermos as técnicas, resolvemos por em prática os ensinamentos.

Assim, pegamos um short que a Giovanna pouco usa, aplicamos as tintas que eu rodei a cidade procurando pra comprar, cumprimos todo um complexo processo de transformação da roupa, planejamos e executamos a colocação de acessórios, os “famosos” spikes, tão em moda. O resultado foi incrível, o short ficou maravilhoso, muito mais bonito do que os que vimos nas vitrines por aí e essa experiência rendeu mais frutos positivos.

Giovanna e novo modelo =)

       

A Giovanna percebeu algo fundamental. A diferença gritante entre o que as lojas de grife cobram por um short desses e quanto realmente custa produzi-lo. Pelos nossos cálculos, o valor das lojas é entre 3 a 4 vezes maior do que o que efetivamente gastamos para fazer a roupa. Outro aspecto muito legal foi o fato de que, ao fazermos algo por nossos próprios meios, sentimos o quanto valorizamos aquilo que
resultou do processo. Tanto é que a Giovanna ficou super animada de usar o novo short numa festa, no dia seguinte. E me disse: – Se minhas amigas perguntarem, vou falar que é da grife tal, ou melhor, vou falar a verdade, que fui eu que fiz, é muito mais bacana, bem mais divertido.

Isso me lembrou do novo livro do Chris Anderson, “Makers – A nova revolução industrial”, que folheei na livraria, recentemente. O consagrado autor americano está certíssimo, essa é uma geração que segue como mantra a sigla DIY, que significa “do it yourself”, ou “faça você mesmo”. Para Anderson, os makers – a juventude atual – se beneficiam da cultura de colaboração nascida com a disseminação da internet. O autor se refere, basicamente, à facilidade de encontrar parceiros interessados em colaborar para o desenvolvimento de um novo produto, fornecer peças e insumos necessários para que um projeto seja concluído e até mesmo gente disposta a financiar ideias criativas.

São novos tempos, propostas e tecnologias e nós, pais de adolescentes, tempos que acompanhar toda essa modernidade para que possamos estar próximos dos nossos filhos. Quando fazemos coisas em parceria com eles, seja um simples bolo na cozinha ou uma roupa customizada, estamos transmitindo valores ligados a coletividade, iniciativa e empreendedorismo. Estamos, enfim, criando pessoas melhores, mais bem resolvidas, que vão buscar apoio e recursos para fazerem aquilo que realmente gostam. E na minha opinião não há nada mais importante para nós, pais, do que permitir que nossos filhos tenham a liberdade de construir seus próprios projetos de vida. Essa é a nossa verdadeira missão!