Hoje eu resolvi “dar um tempo” na conversa sobre adolescentes e falar de um tema mais universal: a síndrome do “boa, filhão”. Você não conhece? Assim que eu explicar melhor você vai entender e,
por que não, até se reconhecer um pouco nela. Eu mesma, depois de identificá-la algumas vezes, passei a me policiar para evitá-la de todo jeito. Essa síndrome é o seguinte: na ânsia de agradar aos filhos – e
repare, tudo começa errado daí, agradar, e não educar – nós, pais e mães, em muitos casos, exageramos e cedemos a tudo, aplaudindo até mesmo comportamentos altamente condenáveis de nossos queridos filhotes, e nos sujeitando a eles.

Nessas férias, viajando por aí, pude presenciar cenas terríveis do gênero “boa, filhão”. Vi crianças birrentas e nervosas fazendo os pais de reféns, dando escândalos ao menor sinal de descontentamento,
ordenando a eles que fizessem tal coisa, que comprassem tal produto, e por aí vai. Tudo isso em ambientes coletivos, tais como aeroportos, hotéis  restaurantes, ou seja, tudo com plateia. O assunto é tão instigante que há anos me vejo reparando nesse tipo de situação e tentando, de todas as formas, não permitir que ela contamine a relação com a minha filha.

Um dos fatores motivadores do “boa, filhão” é até louvável, parte do enorme amor que sentimos por nossos filhos e da vontade que temos de poupá-los de todas as frustrações naturais da vida. Mas, há outros fatores horrorosos, como o egoísmo, por exemplo. Vejo muitos pais colocando seus filhos em primeiro plano, para eles tudo, para os outros, nada. Nesse contexto individualista, premiar e defender demais nossos filhos significa criar tiranos, pessoas com um ego gigante que só pensam em si mesmas, e não no coletivo. Ao longo da vida, irão sofrer, porque não estarão preparados para não terem seus desejos prontamente atendidos pelos outros.

Outro elemento que também me incomoda bastante é a preguiça. Muitas vezes, o “boa, filhão” aparece porque é mais cômodo aceitar tudo que o filho faz, pois educar de verdade, ouvi-lo, olhar no olho,
investir algumas horas em contato pessoal é trabalhoso. Percebo que, muitas vezes, prevalece a lei do menor esforço. Algo do tipo: “Ah, ele está destruindo a sua casa? Que pena, não posso chamar sua atenção, porque ele é só uma criança…”. Como é que é? Crianças precisam ser educadas e chamar a atenção delas quando erram faz parte do processo!

Bom, fazer esse tipo de reflexão, para mim, foi libertador. Em relação à minha filha Giovanna, que já está com 13 anos, sinto que tenho conseguido estabelecer uma convivência saudável. Ela é a pessoa mais importante da minha vida, mas sabe que nem por isso desconsiderarei as outras pessoas. Desde pequena, já ficou claro para ela que não compro nada na base do chilique e que, para conseguir algo comigo, tem que ser com educação e bom senso.

E, por fim, deixo o caminho aberto para conversarmos sempre e sobre tudo, mostro a ela que sou confiável e que vou ajudá-la em qualquer circunstância, mesmo que a ajuda seja uma bronquinha básica! Assim, procuro fazer a diferença no mundo, criando uma menina bonita por dentro e por fora, e ensinando-a sobre a importância de ser humana e gentil. Às vezes, derrapo nesse caminho, mas quem não erra? O importante é continuar evoluindo!

PS: ela vai me matar – sabe como é adolescente – mas dia desses quando ela chegou de uma viagem com o pai, dormiu na minha cama, estava com saudades! Foi então que aconteceu uma coisa mágica, que me fez relembrar como a adolescência é um período maravilhoso das nossas vidas! Sonhando, ela sorriu, deu vários risinhos, dormindo! Sonho bom, vida boa, é o que eu desejo pra ela e pra todos nós!