Hoje, a história que nos inspira é a da Márcia Lins, mãe da Rafaela, de dois anos, que venceu um câncer de mama e compartilha com a gente toda a sua motivação. Ela é autora do blog Para Motivar, vale muito a leitura!

Ser mãe foi a maior realização que tive como mulher, saber que no meu ventre, crescia um ser cheio de vida e muito amado, foi uma das melhores experiências que pude vivenciar. E por falar em experiências, tive que lidar com muitas nos últimos nove meses. Fui diagnosticada com câncer de mama e aprendi a lidar com muitas mudanças físicas que vêm junto com o tratamento: a queda do cabelo, das unhas, uma mastectomia radical. A
cada transformação, a cada perda, houve um ganho. Aprendi que não era necessário esperar a cura da doença pra eu ser feliz, porque a vida não podia se resumir ao câncer e às limitações do tratamento. A felicidade estava sempre me rondando com o sorriso da minha filha, o carinho do meu marido, as visitas dos familiares e as palavras e mensagens que recebi dos amigos.

 

A relação com a Rafaela, minha filha, foi imprescindível na minha cura. O cuidado que ela tinha comigo, mesmo sem saber o que era um câncer, foi algo divino. Ela me chamava de “minha princesa”, só um olhar puro de uma criança pode ver em uma mulher sem cabelos, de cor pálida, uma princesa. Durante o tratamento, ir à pracinha não foi uma tarefa muito fácil, não tinha fôlego pra acompanhar as brincadeiras e muito menos força pra carregar os brinquedos, mas eu ia! E ficava sentada observando ela brincar com o pai. Percebi que pra ela era importante o meu olhar, não precisava da interação na brincadeira, o fato dela olhar pra mim enquanto
brincava e ver que eu estava de olho nela, transmitia segurança, e dessa forma, ela não sentia que a mãe estava doente.
Mãe é um bicho forte mesmo, tinha dias que eu estava exausta por causa da quimioterapia e
tirava forças do útero pra estar com a Rafa. Na maior parte do tratamento, ela dormiu na nossa cama, principalmente quando pegava alguma virose. Corri muito risco, afinal de contas, quem não tinha
imunidade era eu, mas não queria que ela visse que eu não tinha forças pra tirá-la da cama. Evitei chorar na frente dela, mas quando não tinha jeito e ela me perguntava o que estava acontecendo, eu falava que eu estava “dodói”, mas que ia sarar rápido. Apesar da carga que o câncer traz, afirmo que tive muito mais dias
alegres do que tristes nesse período, participando do crescimento da minha filha.
Foram meses de luta e muita fé. Acredito que eu venci e tenho orgulho de ser mulher e mãe.
Voltei ao trabalho, escrevo um blog e estou disposta a vencer os desafios, afinal, não existe o “sexo frágil”, somos fortes e a nossa força está no amor que somos capazes de doar e receber.