Na semana passada, o Na Pracinha compartilhou em sua fan page um artigo do Jornal Estado de Minas
sobre a “adultização” das crianças. Como me interesso muito por este assunto, resolvi abordar este tema. Esse não é um assunto simples! Por se tratar de algo que acontece com as crianças temos que levar em consideração as consequências bio-psico-sociais que ocorrem.

Há alguns dias estava conversando com uma dermatologista e ela me confidenciou estar assustada com a quantidade de meninas entre 4 e 7 anos com problemas de pele e unha causados por excesso de maquiagem e esmaltes, um exemplo de consequência biológica.

Do ponto de vista psíquico, sabemos da importância do faz de conta da criança, de pegar as roupas dos pais para imitá-los. Mas é um faz de conta, uma brincadeira que tem início, meio e fim. A criança não tem que se vestir igual aos pais e sair na rua como eles. Se fizer assim, pulará etapas, antecipará vivências e não estará preparada para lidar com as consequências.

E no social, a meu ver, as crianças estão sendo privadas de viverem o que é adequado para sua idade e estão sendo cobradas a agirem como mini-adultos, milhões de atividades extra-curriculares, perdendo horas e horas se maquiando e sem tempo para serem crianças. Essas atitudes podem transformá-las em adultos inseguros e até infantilizados. Pois, quando criança, não lhe foi permitido agir como tal, não lhe foi dado o tempo para amadurecer e viver cada etapa ao seu tempo.

Como já comentei em outros posts, cada pessoa tem seu tempo de amadurecimento. Por isso, há crianças que andam mais rápido que as outras, que falam antes de outras etc. Deve-se respeitar o amadurecimento de cada um para se introduzir novas etapas. Mas, ressalto também que não podemos privar os nossos filhos de viverem a realidade de hoje. De querer que eles vivam como nós vivemos há 30, 40 anos. Um bom termômetro para sabermos se está na hora de iniciar alguma atividade extra é esperar que a criança peça para fazer. E aí caberá aos pais avaliarem se aquela atividade é adequada para a idade e rotina do filho e da família ou se ainda não está na hora de exercê-la. Refiro-me tanto às atividades físicas, quanto aulas de língua estrangeira, culinária e atividades que deveriam ser brincadeiras, mas que saem deste patamar tornando-se rotina como, por exemplo, as maquiagens.

Não há uma idade certa para se começar a fazer uma atividade. Isso dependerá de vários fatores, entre eles, os valores da família, a disponibilidade dos pais ou cuidadores de levar a criança e/ou participar com ela da atividade, o fator financeiro e, principalmente, como a criança se sentirá: será prazeroso para ela, ficará muito cansada?

Também não há um limite de atividades que uma criança pode exercer. Deve-se sempre levar em consideração se ela está realmente acrescentando algo para o desenvolvimento da criança. E se a criança está tendo tempo de exercer o seu principal papel, que é o de ser criança. Portanto, não exagerem! Criança precisa de tempo para BRINCAR!

Enfim, criança tem que viver como criança. Tudo na vida tem seu tempo de ser vivido e para cada um este tempo é diferente. Então, reforço que as crianças precisam de mais tempo para BRINCAR do que de atividades extra curriculares ou vaidade. E aproveitem cada etapa deles, sempre os estimulando e respeitando, nunca os “adultizando”.