O post de hoje foi sugerido por leitores do blog que perguntaram: “hiperatividade é um problema?” Poderia responder simplesmente que tudo que é demais ou de menos é um problema, pois como já foi dito, muitas vezes o equilíbrio é sempre o melhor caminho.

Pois bem, hiperatividade não é só um problema, mas uma síndrome classificada como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), tanto no CID-10 (classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde), quanto no DSM-IV (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais). Acomete de três a cinco por cento das crianças em idade escolar e normalmente mantém-se na vida adulta.

O TDAH é classificado em:
: : subtipo combinado, ou seja, a criança tem déficit de atenção e a hiperatividade
: : subtipo desatento: a criança apresenta apenas o déficit de atenção
: : subtipo hiperativo-impulsivo: a criança apresenta a hiperatividade

E qual a diferença entre déficit de atenção e hiperatividade?

O déficit de atenção pode ser percebido quando a criança começa a assistir TV, por exemplo, e ela está ali olhando, mas não vendo. Aí você pergunta para ela o que ela está assistindo e ela não sabe lhe responder. A criança com déficit de atenção não consegue se concentrar em suas atividades tanto lúdicas quanto na escola. Ressalto aqui que nenhuma criança presta atenção naquilo que não lhe interessa. Então, deve-se ficar atento se a criança não está se concentrando porque a atividade está inadequada para sua idade e/ou capacidade cognitiva ou se realmente é um transtorno.

A hiperatividade em si é uma dificuldade extrema de concentração. A criança hiperativa não consegue sentar para ler um livro ou montar um quebra-cabeça. Perde facilmente, em poucos minutos, o interesse pela atividade que está exercendo (por mais interessante que seja). É mais “elétrica”: está sentada, mas mexendo com os pés ou as mãos, enfim, dificilmente fica quieta. Mas gostaria de deixar um alerta: hiperatividade é muito diferente de criança “mal educada”. Quando você coloca limite na criança “mal educada”, ela deixa de ser “hiperativa” rapidinho. Já a criança hiperativa, necessita de atenção especializada.

O TDAH normalmente é percebido pelas escolas ou pelas próprias famílias, que devem procurar um neurologista para fazer o diagnóstico. Depois de confirmado o diagnóstico, deve-se iniciar um trabalho interdisciplinar com o neurologista – psicólogo – professores e pedagoga.

O tratamento normalmente consiste em avaliações periódicas com neurologista que, se achar necessário, irá receitar o uso de medicamento, avaliando as dosagens frequentemente. Também consiste em atendimentos psicológicos com a criança, para ajudar a melhorar a concentração e os comportamentos inadequados, e com os pais, para orientá-los sobre como lidar com o transtorno. A escola também deverá se adequar para ajudar no desenvolvimento da criança.

Hoje está na moda falar que a criança é hiperativa. Eu morro de medo destes modismos, pois normalmente vêem acompanhados de abuso de medicação e de abstenção de responsabilidade dos pais frente à educação de seus filhos e das escolas com seus alunos. Parece que é melhor falar que o filho é doente do que assumir o verdadeiro papel de pais, que é educar, dizer não, colocar limites etc. E é mais fácil a escola dizer que a criança tem “problema” do que programar atividades mais interessantes e apropriadas para cada idade.

Ressalto que todo mundo, em algum momento da vida, vai ter atitudes desatentas e/ou hiperativas. Portanto, para começar a pensar que a criança tem um transtorno, os sintomas têm que ser persistentes, ou seja, durarem por um período igual ou superior a seis meses.

Enfim, TDAH é um problema sim, que tem tratamento e que deve ser levado a sério, mas generalizar que qualquer “peraltice” é um problema, aí nós estaremos cometendo um grande erro que é tirar o direito das crianças de serem crianças.