No último domingo celebramos o Dia das Mães. Esta data maravilhosa se apresenta como uma homenagem á aquela que se dedica incondicionalmente a felicidade dos filhos. Muito mais do que uma referência para o comércio – o Dia das Mães é a segunda melhor data para o mercado varejista perdendo apenas para o Natal – este dia representa um símbolo que funciona para unir as famílias em torno da figura matriarcal que concentra todas as virtudes que esperamos de uma mulher. Particularmente, este evento assumiu dupla responsabilidade uma vez que tenho agora o prazer de referendar minha adorada mãe e a mãe de minha filha e filho, minha amada esposa.

Agradar a própria mãe é algo simples: qualquer lembrancinha funciona muito bem como símbolo de reconhecimento. Não sei se esse contentamento se manifesta por ser espontâneo natural de nossa própria mãe ou se realmente ela nos poupa de qualquer crítica em virtude da missão de “padecer no paraíso” destino inegável de todas as mães. O problema maior, no entanto, está em agradar a esposa, mãe de meus descendentes. Encontrar um presente que referencie todo reconhecimento que nós – marido e filhos – devemos ter a essa figura fundamental para a harmonia do lar é algo realmente complicado.

Em outras épocas, comprar um presente capaz de agradar seria uma missão complexa, entretanto, o benefício da convivência nos traz algumas vantagens. Após anos de namoro e casamento, aprendi que as mulheres não nos falam diretamente: o objeto de desejo, por mais simples que seja, é sempre nos apresentado através de enigmas que um cérebro não treinado tem dificuldade de perceber. Seria muito mais simples, em uma situação de livre escolha, apontar para o marido qual o item de interesse, entretanto, muito mais do que a escolha, as mulheres querem ter a certeza de que você, homem, percebeu a hierarquia de importância das várias opções possíveis.

Sabendo dessa situação, coloquei-me em alerta desde trinta dias antes da data, atento as pistas que me revelariam qual o presente ideal para aquela ocasião. Perguntava-me continuamente: “- Como seria revelado o mistério? Seria uma página de internet deixada furtivamente a vista? Uma revista, jornal ou anúncio colocado em local visivelmente estratégico? Um comentário a cerca de alguma outra mulher referenciando algum item de contemplação? Algum recado vindo de algum parente próximo?” Enfim, estava atento a todas as opções em qualquer tempo e lugar. Foi aí que, para minha grata surpresa, a mensagem chegou de forma quase que direta. Uma bela noite, ao arrumar a Laura – nossa filha – para dormir, escutei a seguinte frase: “ – O tempo está frio e a Laurinha não tem nenhum pijama! Estou tentada a comprar umas roupinhas para ela dormir e para mim também”. Pronto, a referência era clara! Não havia dúvidas! Um simples pijama seria suficiente para referendar todo o valor que o papel de mãe desempenhará até aquele momento. Fui dormir feliz sabendo que no dia seguinte poderia gastar apenas 5 minutos dos 15 planejados para comprar o presente do Dia das Mães.

No horário do almoço lá estava eu confiante e esperançoso para concluir a missão que para muitos poderia ser impossível. Tinha a dica certa para agradar. Olhando pelas vitrines em busca do objeto de desejo reparei que certa loja tinha uma proposta interessante cujo slogan era “Tal mãe, tal filha”. Entrei no recinto e verifiquei que o estabelecimento possuía pijamas desenhados com estampas infantis de muito bom gosto e que as peças estavam disponíveis em tamanhos adulto e infantil. Não tive dúvidas, era o presente ideal: resolveria dois problemas com uma só ação: agradaria a mãe e resolveria o problema das roupas para dormir da filha. Bingo! Saí da loja com duas caixas de presente e com a sensação de que esse poderia ser um excelente Dia das Mães.

No domingo pela manhã, logo que a esposa saiu para realizar as obrigações matinais, coloquei sobre a cama as duas caixinhas e me preparei para receber a manifestação momentânea de gratidão não só pelo presente em sim, por ter decifrado o enigma escondido nas possibilidades. Convoquei a Laura para participar da cena instruindo-a entregar um dos presentes a mamãe, lhe dar os parabéns e devotar a ela vários minutos de carinho. Convicto de que minha estratégia era perfeita deitei novamente e aguardei pelo sucesso da empreitada.

Ao chegar ao quarto à esposa demonstrou certa surpresa com os dois embrulhos e, ao ler no embrulho o slogan da loja, disse: “– Olha filha, papai comprou presente para a mamãe e para a Laurinha!” Grande erro! Ao ouvir aquela frase e após conferir que o presente realmente agradou a ambas, aquele Dias das Mães imediatamente transformou-se em Dia dos Pais. Minha filha simplesmente não quis mais saber da mamãe e, durante os minutos seguintes devotou ao papai todos os carinhos que deveriam ser endereçados a mamãe. Para meu desespero, aquela cena de carinho com o pai foi deixando de ser engraçada para se tornar revoltante, do ponto de vista da mãe.

Ao reclamar pela atenção da criança as respostas que vinham eram: “- Não mamãe! Só papai! Carinho…Obrigada papai! Assim, após várias tentativas se tornar o centro das atenções e no auge da revolta a mamãe ignorada esbravejou: “– Ei, hoje é dia da mamãe, o dia do papai é só em agosto!” Após essa reclamatória e a gargalhada do pai, os pedidos de carinho foram atendidos e o Dia das Mães voltou a ser dedicado á aquela a quem é de direito. Coisas de criança!

Parabéns a todas as mamães pelo seu dia!