A cada dia, em nossa sociedade, casais estão optando por ter apenas um filho. Mas sempre ouço que estes casais morrem de medo de que seus filhos sejam mimados, egoístas, birrentos, metidos, eternamente “filhinhos de papai” e se terão raiva dos pais por não terem lhe dado irmãos.
A maioria dos casais que me questionam sobre isso se assusta quando eu digo que sou filha única e que não carrego comigo nenhuma das características citadas acima. E aí sempre me perguntam: Você gosta de ser filha única? Eu amo ser filha única. E então sempre levam para o lado “Ah, mas é claro que gosta, tem tudo para você, é o xodozinho da casa”, entre outras características pejorativas que dão aos filhos únicos. Pois bem eu amo ser filha única, porque sempre fui muito amada, recebi limites e aprendi valores importantes para qualquer ser humano. E é aí que mora o segredo de se criar bem um filho, independentemente de ser único ou não.

Todo filho deve ser amado incondicionalmente, receber afeto, carinho e ao mesmo tempo limites. Todos estes “defeitos” que se colocam nos filhos únicos podem ser encontrados em qualquer pessoa que foi criada sem limite, considerado pelos pais como melhor que os outros e com pouco afeto.
Hoje em dia é muito comum os pais darem tudo que a criança quer materialmente supondo que assim suprirá sua ausência ou falta de afeto. E não percebem que esta atitude é que faz com que a 
criança se torne mimada, dependente, agressiva, só e egoísta. 
Para ter um filho educado, independente, altruísta e seguro, estes valores devem ser ensinados  pelos pais. E serão ensinados principalmente através de exemplos. Como já destacamos em outros posts,
a criança começa sua vida social imitando seus pais. Então, ela aprende muito mais através dos exemplos do que apenas falando.

Aproveito para fazer um alerta: crie o seu filho para o mundo e não para você.  As crianças precisam ter amigos de sua idade, fazer programas adequados para elas, precisam brincar em lugares abertos, expressar seus sentimentos, aprender a ganhar e a perder, precisam do apoio e da presença dos pais, mas também precisam brincar sozinhas de vez em quando. É de extrema importância saber respeitar a criança e suas necessidades.

Portanto, este paradigma existente sobre os filhos únicos é totalmente errôneo e poderia ser aplicado a qualquer pessoa independentemente de quantos irmãos ela possui. Apesar de amar ser filha única, e ter apenas uma filha, não faço apologia sobre esse assunto, afinal, não há nada mais antipático do que as pessoas ditarem a você como deve conduzir a sua vida. Cada um sabe o que é melhor para si e independentemente de se ter um, dois, três ou dez filhos, o importante é que todos tenham amor, afeto, respeito e limite. Qualquer ser humano criado dessa maneira será amoroso, altruísta, seguro e feliz.