É muito comum em uma conversa com os pais, eles relatarem que seus filhos têm preferências por alguns objetos, principalmente na hora da soneca vespertina ou no sono noturno. Isso realmente acontece?

Sim, é comum as crianças se apegarem a um brinquedo, paninho, chupeta, naninha, cobertorzinho, travesseiro especifico e só dormirem ou se acalmarem se este objeto estiver ao seu alcance. Estes objetos são conhecidos como objetos de transição.

Mas porque há esta escolha? Normalmente este objeto é eleito bem cedo, no primeiro ano de vida da criança. A princípio, surge como apoio para suportar a angústia de separação da mãe e mais tarde este mesmo objeto também a auxiliará a lidar com outras angústias, tristezas, inseguranças, medos e frustrações.

Há algumas crianças que não elegem um objeto, mas sim uma “mania” que pode ser: mão na boca, chupar o dedo, enrolar os cabelos, mexer no nariz ou mãos etc. E estas “manias” têm a mesma função do objeto: acalentar a criança quando a mesma se sente insegura.

Estes objetos ou manias, normalmente são deixados de lado entre os três e cinco anos, exatamente quando a criança aperfeiçoa seu vocabulário e consegue expressar com mais clareza seus sentimentos.

Há alguns pontos que devemos ressaltar sobre este assunto:

1. Se a criança não larga seu objeto para nada ou se sua mania ficar exacerbada é necessário ficar atento e discutir com o pediatra da criança, pois deixam de ser objetos ou “manias” de transição e passam a ser sinais de que alguma coisa não está bem.

2. Se o objeto ou a mania não forem deixados de lado depois dos seis anos também é sinal de que há algo fora do prumo, deve-se conversar com o pediatra também.

3. Há casos que estas manias ou objetos aparecem um pouco mais tarde (após o primeiro ano de vida da criança) depois de algum acontecimento novo. Como por exemplo, a troca de escola, a morte de um vovô, a chegada de um irmão, a troca de uma babá etc.

Enfim, estes objetos são sinais de que a criança está se sentindo insegura e que está precisando de algo para acalentar. Eles não devem ser proibidos nem se tornarem motivos de piadas, mas devem servir de alerta para os pais ficarem atentos ao que está causando tal insegurança. E conversar sobre esta causa.

Há crianças que não elegem objetos nem manias claras, mas todas criam mecanismos de defesa ao passarem por estas fases de transição. Existe criança que em cada etapa cria um mecanismo diferente (alteração do sono ou do apetite, choros mais frequentes etc) o que dificulta a identificação pelos pais.

Portanto, os objetos de transição nada mais são do que mecanismos psíquicos de defesa, em que a criança se apega para passar por uma nova fase que ainda lhe causa insegurança. É algo saudável e que lhe ensinará a lidar não só com as etapas de transição da infância como também lhe capacitará a lidar com as adversidades da vida inteira.