Andei pensando em que tema abordar aqui no blog. E, de repente, veio o estralo: rebeldia! Lembrei da minha adolescência e refleti se tinha sido realmente rebelde naquela época. Pensei também na Giovanna, minha filha adolescente, e questionei: até que ponto ela é rebelde? Por fim, duvidei do próprio termo: o que é ser rebelde?

Bom, um ponto importante é que temos nossas vontades e interesses. Isso faz com que sejamos diferentes uns dos outros e difíceis de sermos “moldados” para um estilo de vida que não nos pertence. Relembrando um pouco de psicologia freudiana, é fato que sufocar o “id”, o instinto, tem seu preço, e costuma sair caro.

Fugir completamente das normas de convivência social também não traz bom resultado, pois nos isola do resto das pessoas. A virtude, então, é o caminho do meio. Ou seja, não podemos abrir mão de nos tornar quem desejamos ser, e isso tem que prevalecer. E costuma ser justamente nesses momentos em que manifestamos firmeza quanto ao nosso caminho pessoal que somos taxados de rebeldes e tidos como pessoas difíceis de conviver.

Penso que não é nada disso. Rebeldia é um processo de afirmação, é a busca por sair da tal “zona de conforto” que tanto nos aconchega e nos paralisa, e perceber que temos escolha, e que é possível fazê-la, arcando com o resultado dela. Ser rebelde, sem dúvidas, é bem melhor do que recalcar, que é o que acontece com quem sufoca as suas necessidades, em virtude das pressões dos outros.

Pensando com o lado direito do cérebro, chego à conclusão de que é bom ser rebelde, pelo simples fato de ser um movimento de autoexpressão, que nos torna donos de nossos destinos. Triste mesmo é ser passivo, pouco questionador, ficar à deriva, sem definir quem é e o que quer da vida, sem ter coragem de viver.

Confesso, no entanto, que às vezes fico sem saber o que fazer com algumas rebeldias da Giovanna. Quando, porém, sinto certo ar de “rebeldia” nela fico até um pouco orgulhosa – preciso dar o braço a torcer – pois a ensinei a não se acomodar, a “virar as coisas pelo avesso” sempre que necessário. Sinto, também, contraditoriamente, ímpetos de contê-la, de mantê-la nas minhas rédeas, ou seja, é muito complexa a situação! Nessas horas, há uma saída que, graças a Deus, funciona bem. Eu paro tudo e ouço o que ela me diz, afasto todos os pré-julgamentos, as concepções do que é certo ou errado e foco nela, nas emoções dela, no que ela manifesta.

E sinto que ela se abre comigo, e o que era rebeldia vira um manifesto dela, um grito, uma palavra de ordem em prol da seguinte campanha: “quero ser inteira, autêntica! Estou me construindo, descobrindo quem sou, não me julgue, ajude!”.

É isso que nós, pais, precisamos entender: em caso de rebeldia, não devemos bater de frente, menosprezar sentimentos e intenções dos nossos filhos,ou mesmo criar caso tentando fazer prevalecer a nossa vontade para mantê-los sob controle. Precisamos é abrir o coração, enxergar a alma deles, ser o colo que alivia as angústias, as palavras que adoçam a vida, o abraço que é porto seguro, nesses tempos de tanta instabilidade. Ter filhos rebeldes é ter filhos vivos, verdadeiros, pró-ativos. Só é preciso ajudá-los a canalizar toda essa energia da maneira correta para que cresçam autosuficientes e felizes, e para isso tem que ter diálogo, tolerância, aceitação! Assim, as rebeldias se tornam fonte de crescimento e aproximam pessoas de duas gerações distintas, criando um elo de confiança que nos ajuda a superar todas as turbulências da vida.

Crédito da imagem: Favim