Sabe quando você escolhe um livro pelo título e com poucas páginas descobre que levou gato por lebre? Pois bem, a dica de leitura de hoje se encaixa neste perfil. Mas devo confessar que a-do-rei a lebre que comprei! (hehehe) Refiro-me ao best-seller Crianças Francesas Não Fazem Manha, de Pamela Druckerman. A julgar pelo título em português, pensei se tratar de um destes vários manuais de como educar os filhos e evitarmos birras constantes, ou algo como dicas de disciplina de especialistas franceses. Mas não é bem assim… (a propósito, o título original já não deixa esta dúvida – Bringing Up Bébé, ou seja, Criando Bébé, que é bebê em francês). A autora, uma jornalista americana casada com um inglês e radicada em Paris, narra a sua experiência em criar seus três filhos em terras francesas. Através da descrição de suas vivências e observações, a fórmula francesa para criar filhos perfeitos é desvendada num agradável e por vezes divertido relato de uma mãe. É claro que podemos nos identificar com uma ou outra experiência da moda parisiense de criar filhos e tentar implementar em nossos lares, mas este com certeza não é o objeto ou foco do livro, e por isto mesmo ele é de leitura fácil, divertida e leve. Vale a pena a leitura, com certeza!

Uma das coisas que mais gosto ao viajar é observar como as pessoas comuns se comportam naquele lugar. Não me refiro aos turistas, mas aos moradores locais. E por gostar muito de crianças, sempre me chama muita atenção a forma com que os pais (e mães) lidam com seus filhos em outros lugares. Quando se tem a oportunidade de sair do Brasil então, estas diferenças culturais ficam ainda mais nítidas. Se temos nosso jeitinho especial de jogar futebol, de enfrentar os problemas, de viver o dia-a-dia, temos também nossa maneira de criar nossos filhos. É claro que cada família tem seu modo, mas em geral é possível encontrar alguns elementos culturais comuns na criação e cuidado com crianças no Brasil. Ao ler Pamela Drucherman descrevendo, a partir de sua visão americanizada, a criação francesa, adorei seus relatos do cotidiano. Me senti como se estivesse também na França, observando as crianças comendo as refeições com quatro pratos ou as mães na pracinha conversando amenidades sem preocupações. E a cada nova cena me peguei tentando identificar qual seria então a receita brasileira de como criar nossos filhos, e o que podemos aprender com estas outras duas visões. Sem dúvida nenhuma, uma excelente oportunidade de aprender com o diferente e de estimular o nosso senso crítico e auto-avaliação.

Abaixo relato algumas das observações que Druckerman faz do educar à la française.

1 | “Sois sage!” – Seja sábio! É assim que os pais chamam a atenção do filho. Ao invés de negar algo ou proibir, eles fazem a criança refletir sobre o que é adequado e o que não é. Nada de “enfant roi”, ou seja, criança-rei! Quem manda em casa são os pais, e é a eles que os filhos devem obedecer, e não o contrário.

2 | Criança tem é que brincar – nada de preencher todo o tempo livre com atividades extracurriculares como esportes ou línguas. Elas devem se ocupar com aquilo que fazem de melhor – se divertir descobrindo o mundo!

 

3 | As mães francesas são menos preocupadas em fiscalizar, a todo instante, o que seus filhos fazem quando estão se divertindo. Elas são capazes de se entreter em uma conversa na praça com outras mães enquanto seus filhos correm livremente sem supervisão.

 

4 | Comer, comer, comer e comer. As crianças, desde bebês, aprendem a apreciar diversos alimentos. Desde o princípio eles aprendem a comer cada refeição em 4 pratos: entrada, prato principal, queijo e sobremesa.
 

Fotos, na sequência: Robert Doisneau; anaromel.e-monsite.com; us.123rf.com; www.ambafrance-cn.org; i-cms.journaldesfemmes.com