Foto: Camila Coura

Ser reconhecido como o “Pai da Laura” tem sido ultimamente um dos meus maiores orgulhos. Sei que todos nós, pais e mães corujas, ficamos extremamente satisfeitos quando nossa prole demonstra que aprendeu algo novo ou faz alguma “gracinha” e é elogiada por terceiros. Se este elogio acontecer em ambiente público então… não há espaço para tanto orgulho! Conheço mamães que passam boa parte do dia postando as peripécias dos filhos nas redes sociais interessada em algumas “curtidas”.

É indiscutível o bem que uma criança faz para uma família e especialmente para um casal. Toda a alegria e jubilo que ela proporciona é tão arrebatador que chegamos a nos questionar se há algo de melhor que nos possa acontecer na vida. Como pai de primeira viagem, passados dois anos do nascimento de minha pequena, a experiência tem sido exatamente como imaginei: inigualável!


Nas curvas do caminho da vida, eu e minha esposa, conforme planejado antes do casamento, concluímos que era o momento de aumentar a família e gerar um novo rebento. Apesar dos desafios para se criar a primeira herdeira, fomos convencidos, pelos inúmeros momentos alegres, que as dificuldades da criação de um filho são insignificantes diante do prazer que a existência deles nos proporciona. A chegada de mais um filho passados pouco maior de dois anos do nascimento do primeiro é um novo desafio iremos enfrentar.

Do ponto de vista paterno, as primeiras atividades na função de pai normalmente estão envolvidas por grande ineditismo o que torna a experiência única. Entretanto, quando se tem um segundo filho, a surpresa das primeiras atividades não é mais exclusiva, pois se tem como referência a experiência com o primeiro filho. Neste instante, várias dúvidas podem ocupar a mente dos pais mais atormentados: Como compartilhar o amor entre os filhos? Será que o sentimento paternal poderá ficar dividido? A missão de pai admite preferencias em relação aos filhos? Qual a proporção de amor será dedicada a cada um dos herdeiros? Será possível se amar tanto outro ser quanto amamos nosso primeiro filho? Essas são perguntas que podem afligir aos papais mais ansiosos e certamente a resposta a essas questões irá definir profundamente a relação afetiva dentro do núcleo familiar.

Do ponto de vista dos filhos, cada um tem sua percepção sobre este assunto. Sou o filho mais velho de quatro irmãos, e minha visão em relação a estes temas é certamente diferente das que meus consanguíneos possuem. Todos nós enxergamos a distribuição dos sentimentos vindos dos pais em proporções diferentes. Alguns afirmam que o amor maior cabe ao primogênito, outros afirmam que este posto é do caçula, outros ainda afirmam que os filhos do meio são os que recebem maior atenção. Independente da opinião dos envolvidos, uma coisa é certa: é impossível se quantificar o amor, mas é fácil perceber que aquele sentimento demonstrado na primeira experiência como pai inexplicavelmente se multiplica a cada novo filho que passa a habitar o lar. Certamente, o nível de envolvimento e de compromisso que os pais assumem para com os filhos só aumenta quando a família cresce.

Em alguns dias viverei na pele esta experiência, de verificar a multiplicação do amor para com os filhos. Acompanhei de forma intensa toda a gravidez como no primeiro filho e, se a experiência anterior me privou do ineditismo, ver as coisas acontecendo novamente de forma controlada, mas diferente, me trouxe a nostalgia das lembranças e um sentimento de segurança que espero se refletir na personalidade do bebê.

Confesso que a essa altura, quando sinto a presença do bebê a cada vez que coloco a mão sobre a barriga da mãe, os sentimentos de apreensão e receio aumentam. Foi muito bom acompanhar a evolução do feto, as transformações no corpo da mãe e as expectativas da filha mais velha. Em poucos dias será necessário canalizar os sentimentos de pai não mais a uma única e maravilhosa pessoa, mas distribuir esse dom com mais um ser que escolhemos colocar no mundo e que, por esse motivo, conta conosco para acolhê-lo.

Está tudo preparado, quarto, enxoval, berço e coração! E que venha o Francisco! Papai, mamãe e a Laurinha já estão aflitos para conhecê-lo.