Não conheço pais que não tenham comparado o desenvolvimento do seu filho com o de outra criança. E esta comparação corriqueira e aparentemente inofensiva pode gerar problemas sérios tanto para os pais quanto para o filho. Pois, quando isto acontece é raro considerar a individualidade de cada criança.

Para Piaget, desenvolvimento é o equilíbrio entre o psíquico e o orgânico. E o desequilíbrio entre eles gera uma necessidade que impulsiona o ser humano a desenvolver-se tentando alcançar novamente o equilíbrio. Piaget também ressalta que por mais que o homem viva neste movimento continuo procurando o reajustamento, suprindo suas necessidades, estas são individuais.

Cada ser humano é único. Se mostrarmos o mesmo objeto para duas crianças, elas farão representações diferentes sobre ele, pois cada uma tentará suprir a sua necessidade daquele momento.

Em 2002, O Ministério da Saúde lançou um guia para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, com indicações de marcos de desenvolvimento (também encontrados nos cartões de vacinação). Estes marcos devem ser considerados pelos pais para auxiliar na avaliação se a criança está se desenvolvendo dentro do esperado ou não. Mas nunca “a ferro e fogo”, pois para ser diagnosticado um atraso real no desenvolvimento deve-se levar em conta vários fatores, sendo o pediatra o profissional capacitado para tal avaliação. Caso perceba algum déficit, o mesmo encaminhará a criança a outros profissionais se assim for necessário.

Portanto, tenham em mente que o desenvolvimento humano depende de uma série de fatores internos e externos. Não adianta forçar uma criança a aprender nada que ela ainda não esteja apta ou interessada, pois ela não vai aprender. Cada criança tem seu tempo de maturação e tem seus próprios interesses. Forçar um amadurecimento é fazer com que a criança pule etapas e isto pode gerar problemas sérios no âmbito cognitivo, emocional e/ou social, no seu futuro.

Ultimamente tenho ficado preocupada com relatos de pais que só brincam com seus filhos com jogos de superestimulação. E esquecem as brincadeiras livres e os maravilhosos “faz de conta”. É “bonitinho” uma criança de dois anos saber todas as cores e letras porque seus pais a incentivaram, mas mais bonito e saudável é ver esta criança feliz descobrindo o mundo através das suas próprias necessidades e curiosidades, e usando a sua criatividade para experimentar o meio externo e amadurecer o interno. Estimular é saudável e importante desde que seja respeitado o amadurecimento de cada um (saiba mais sobre os estímulos adequados para as crianças neste post).

Então, aproveitem cada momento com seus filhos, que esta convivência seja saudável e equilibrada tornando-o um ser humano seguro, desenvolvido e feliz.

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