Boa viagem!

“Mas ora, vejam só, já estou gostando de vocês
Aventura como essa eu nunca experimentei!
O que eu queria mesmo era ir com vocês
Mas já que eu não posso:
Boa viagem, até outra vez.
Agora…
O Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum
Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum.”

(Plunct, Plact Zum – Raul Seixas)

 
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Aí a madrinha dela vem fazer uma visita. E entre um pão de queijo, uma contação de caso, cria coragem e me diz:- Então, estamos querendo viajar para a praia depois de amanhã.

Que ótimo, aposto como será um passeio maravilhoso (ai, se eu pudesse…). E ela completa:

– Estávamos pensando em levar a Sara conosco.

Silêncio…não sei bem o que responder. E antes de soltar qualquer murmúrio, ela vem com um “não precisa responder agora, pense um pouco”.

É pra pensar se eu deixo a minha filhinha, que nunca ficou um dia nessa vida longe de mim, durante uma semana inteirinha, lá na praia, cheia de gente, cheia de areia, cheia de água…?

E lembrei de uma vez, quando eu era criança e me perdi naquela imensidão (porque quando somos crianças, tudo fica muito maior, né?) e andava e andava e ninguém me achava. Não sei se isso chegou a se transformar num trauma, mas complicou bastante a decisão desse dia – eu autorizo ou não a viagem da pequena?

Pensei. Repensei. Criei coragem. Autorizei.



A pré-viagem


Nesse mesmo dia, a pequena dormiu cedo e fui assistir a um filme com o marido.

Muito importante: se resolver liberar seu maior tesouro para viajar, nunca assista a um filme novo nesse período. Nem leia livros de ficção. É melhor não arriscar entrar numa história que você não conhece. E mais importante: não assista ao longa francês Ferrugem e Osso (eu ia contar o motivo aqui, mas achei melhor cortar essa parte para evitar reclamações de quem ainda não viu o filme). O fato é que está longe de ser uma história para tranquilizar mães que deixam suas crianças sob os cuidados de alguém que precisa estar de olho nelas full time.

Será que a madrinha e a vovó vão dedicar a mesma atenção que a minha? Será que não vão se distrair?
Eu já tinha autorizado. Mas tudo estava revirado dentro de mim numa ansiedade que eu não conhecia.

Saída para o aeroporto

Durante os dois dias que antecederam a viagem, procurei explicar para a pequena que ela viajaria com a madrinha e com a vovó e que eu e o papai não íamos junto. Não sei se ela estava entendendo completamente, mas não demonstrava que isso era um problema. E, de fato, não era. Ao menos para ela.

Na saída para o aeroporto, achamos mais prudente não acompanhá-la. Dar adeus na porta da sala de embarque, entrando em um lugar diferente, poderia sugerir uma separação e deixá-la insegura. Preferimos nos despedir em casa mesmo, de modo que ela pudesse entrar em um carro que já conhece, com pessoas que ela conhece, sem chance de ficar triste com essa breve separação. Foi uma ótima estratégia. Nada de chororô.

A madrinha chega, as malas vão para o carro, ela sobe na cadeirinha e eu subo de volta para casa. Sem a Sara, pra começar uma semana de pausa.

A semana 

Eu liguei todos os dias de manhã e à noite para me certificar se estava tudo bem. E sim, sempre estava tudo ótimo. Ainda desconfio que queriam me poupar. Ela não se machucou, não sumiu, não chorou – hum…estranho, hein?

Aqui Na pracinha, aproveitamos para programar um post durante essa semana muitíssimo conveniente para o momento: Praia com bebê. Dicas para as mamães – e, claro, para as madrinhas e avós que estivessem de plantão – passearem na praia sem stress com os pequenos. Quem sabe elas davam mais uma lida no post durante essa semana para se lembrar de todos aqueles cuidados importantíssimos que eu repeti mil vezes antes de embarcarem…

Em casa, o saldo foi esse: muita organização, muitas coisas consertadas, tudo colocado em ordem.

Estudo adiantado, posts do blog produzidos, leituras colocas em dia – até alguns capítulos da novela eu consegui assistir.

Visita aos amigos, passeios à noite, nada mal.

Mas faltava aquela risadinha gostosa para preencher a casa.

A volta

Ela sobreviveu. A madrinha e a vovó também. A diversão, a alegria, estão todas estampadas nas fotos que nos trouxeram.

E agora, o sorriso voltou pra cá. A casa está novamente bagunçada e eu voltei a usar as madrugadas para estudar. Talvez alguma lâmpada queime e demore um pouco mais para ser trocada.

Mas valeu a aventura. Só que está muito melhor assim :)

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Decidiu encarar o desafio e deixar o filhote viajar com a vovó, a titia ou outro acompanhante? 

Então confira as dicas:
:: Converse com seu filho antes da viagem, para que ele entenda que vai para outro lugar sem a mamãe e o papai, mas que está tudo bem.
:: Deixe claro para o acompanhante da criança o que está sendo acomodado na mala. Vale mostrar item por item por via das dúvidas.
:: A mala tem cadeado? Lembre-se de passar a senha para o acompanhante não ter uma surpresa ao chegar no destino da viagem
:: Lembre-se também de entregar o cartão do plano de saúde e a certidão de nascimento (ou carteira de identidade se a criança já tiver)
:: Vale monitorar à distância: pode soar meio chato – e podem querer nos poupar! – mas é importante procurar saber como andam as coisas
:: Importante: não assista nesse período a filmes que te deixem ansiosa e insegura
:: Depois que não tiver mais como voltar atrás, aproveite os dias para colocar a casa em ordem e visitar os amigos :)