– Papai do Céu, proteja o meu pai, minha mãe, meus avós, meus primos, minha colega Ana, minha colega, Sarah, meu cachorrinho, o moço da banca de revistas que eu não sei o nome, mas que é muito legal, o Júlio do Cocoricó, o Peixonauta, o Papai Noel…

– Filha, não precisa proteger todo mundo assim, não.

– Precisa sim, a gente tem que pedir pro Papai do Céu proteger todo mundo que a gente gosta!

– Mas o Peixonauta, por exemplo, ele é um desenho, não precisa rezar por ele.

– Não pode pedir pro Papai do Céu proteger ele?

– Pode, filha, mas não precisa.

– Mas você fica bravo se eu pedir pra ele proteger o Peixonauta? A mamãe acha ruim?

– Não, ninguém fica bravo.

– Ah, então, tá. Ó, Papai do Céu, proteja o Peixonauta, o Papai Noel, minha boneca nova, a turma da Mônca todinha, o Cascão, a Magali…

E foi assim que a oração antes de dormir passou a durar mais do que o banho.