É sabido que quando nasce um bebê, nascem também pais com milhões de dúvidas, culpas, medos, angústias, mesclado com alegria e euforia. Toda essa miscelânea de sentimentos pode ser ainda maior quando se descobre que a criança é portadora de alguma patologia congênita, seja ela qual for. Pois, além das preocupações inerentes ao nascimento de um filho, haverá outras que, normalmente, ninguém nem imagina do que se trata.

Além de todas as culpas que as mães já criam para si, quando se trata de um bebê que nasce com alguma patologia, muitas vezes ela sempre acha que é a culpada. E para piorar, surgem milhões de julgamentos totalmente desnecessários, inconvenientes e dispensáveis. Sem muito tempo para tentar colocar a cabeça e o coração em ordem, inicia-se a correria para procurar o melhor tratamento, e nesta hora também o que não falta é palpiteiro. Os pais podem ter escolhido o melhor tratamento, no maior centro de referência, com o melhor médico, que sempre aparecerá um comentário para questionar sobre suas decisões. E como, normalmente, eles estão fragilizados, começam a duvidar de suas próprias escolhas.

Após alguns anos acompanhando famílias que têm crianças com deformidades congênitas, pude observar que aquelas que buscam a informação e têm um profissional como referência, que confiam e seguem suas orientações, têm mais sucesso no tratamento do que aquelas que, a cada palpite, a cada dificuldade, recorrem a diversos profissionais, cada um com uma conduta, muitas vezes, contraditórias. 

Gosto muito do conselho “Quem tem um médico, tem um médico. Quem tem dois médicos, tem meio médico. E quem tem três médicos, não tem nenhum”. É óbvio que não se tem que acreditar na primeira opinião e/ou informação que se recebe, mas é importantíssimo ter um profissional referência, aquele que será o primeiro a quem você recorrerá quando houver qualquer dúvida e a quem confiará o tratamento do seu filho. O que não exclui um trabalho em equipe com profissionais de várias áreas.

Percebo também que os dois sentimentos mais presentes nos pais destas crianças durante o tratamento é o de pena e o do medo de que seu filho possa estar sentindo alguma dor. Sentimentos mais do que
compreensíveis e plausíveis. Porém, eles não podem ser paralisantes, deve-se sempre ter em mente que o que está sendo feito é o que é preciso e, consequentemente, o que é melhor para aquele bebê.

Enfim, não há receita de bolo e muito menos regras. O que deve sempre existir é amor, paciência, discernimento e muito jogo de cintura. Lembrando que cada família é uma e o que é bom para a sua, pode não ser para a do seu vizinho. Então sigam em frente confiando em suas escolhas!

Crédito de imagem: Favim