Foto: Arlee Sebryk

Dando continuidade ao assunto do último post , é muito raro uma criança que em algum período da sua infância não passe pela fase em que ela própria limite seus brinquedos, roupas e brincadeiras fazendo a distinção do que é de menina e de menino.

Isso é normal e esperado, pois a criança começa a se identificar como menina ou menino e acha que para fazer parte do grupo deve seguir os mesmos padrões. Esta fase deve ser respeitada, porém é necessário muito cuidado para não haver exclusão total das demais brincadeiras. É sempre bom tentar inserir no “mundo cor-de-rosa” um toque de azul e vice-versa.

Atualmente, uma boa parte das famílias está tentando criar seus filhos sem que haja a discriminação de gênero nas brincadeiras, mas na sociedade em que vivemos esta diferenciação está muito enraizada, pois há propagandas e produtos totalmente limitantes que pré-determinam que aquilo seja apenas de menina ou de menino.

E é aí que entra a grande questão: O que fazer para evitar que filhos entrem totalmente nestes padrões?

Primeiramente permitir que seu filho tenha a liberdade de vivenciar o que ele quiser desde que não lhe traga risco de se machucar gravemente nem invada o espaço do outro. E principalmente, sempre que solicitado e que puder, participar da atividade proposta pela criança, independentemente do gênero da mesma. Papai que fala com a filha que não vai brincar de carrinho porque isso é brincadeira de menino, leva bomba no quesito educação saudável.

Depois, como em tudo na vida, o ideal é conversar muito e sempre mostrar que sim, há muitas diferenças entre o sexo masculino e feminino, mas que ambos podem e devem brincar de tudo. Assim como os adultos podem executar qualquer tipo de tarefa doméstica ou qualquer tipo de profissão. E que não é do que se brinca, ou qual profissão que exerce que fará uma pessoa ser homem ou mulher.

Outro fator importante para que a criança aprenda a não ser radical com esta questão de gênero é o exemplo dos pais, pois as crianças repetem em suas brincadeiras aquilo que elas vivenciam. Se um menino vê o pai falando que não vai ajudar a mãe a arrumar a casa porque homem não faz isso, obviamente o filho nunca vai querer brincar de casinha.

Mas se mesmo dando bons exemplos e conversando muito seu filho começar a apresentar estes padrões limitantes de forma muito rígida, é importantíssimo ouvir e ficar muito atento, principalmente durante as brincadeiras, para conseguir perceber se há algo ou alguém que está o influenciando a ter esta discriminação de forma exacerbada. Percebendo que há alguma influência negativa deve-se conversar para mostrar que aquilo não é bom para ele. Persistindo estas atitudes de forma exagerada, vale à pena procurar uma ajuda profissional, pois radicalismo não faz bem para ninguém.

Enfim, incentive e propicie brincadeiras variadas, pois quanto mais seu filho brincar mais caminhos serão abertos para sua criatividade e para seu amadurecimento emocional e cognitivo.