Foto: Vivian Fernandes
Irmãos, mas cada um com suas próprias demandas e preferências :)

Em alguns posts passados já falamos que cada filho é um com suas próprias demandas, desejos, preferências, medos e ansiedades. E por isso não raro ouvimos os pais dizerem “como podem ser tão diferentes assim?”

Ainda não tínhamos falado sobre a dificuldade de administrar estas diferenças dentro de casa. Pois não basta que os pais entendam que cada um é um. É preciso que os irmãos aceitem isso e também aprendam a lidar da melhor maneira possível entre eles. E óbvio que não podemos deixar de falar que os pais também são seres humanos com necessidades, desejos, sonhos e preferências. O que, também, os torna seres únicos e diferentes dos demais membros da família.

O mais importante, para que uma família seja harmoniosa, saudável e feliz, é o respeito. Lembrando que algo que para você é uma qualidade, para o seu filho pode ser o maior defeito e vice-versa. Então é necessário respeitar as escolhas, as atitudes, as ideologias etc, pois onde há respeito, há entendimento, diálogo e paz.

Lembre-se sempre que seu filho não é um “mini você”, não ache que ele tem que gostar do que e de quem você gosta, ele não tem que estudar o que você sonhou para ele, ele não tem que praticar o esporte que você quer que ele pratique, não tem que usar a roupa igual a sua ou a que você quer que ele use etc.

E se você tem mais de um filho, cuidado para não impor ao mais novo tudo aquilo que o mais velho gosta, ou o que o mais velho não quis fazer e que você queria que ele tivesse feito.

Escute sempre o que eles querem. Você pode se surpreender. Muitas vezes os filhos fazem os pais vivenciarem situações que nunca haviam imaginado e gostam tanto, que fazem questão de repetir a experiência e chegam até a implantá-la no cotidiano da família.

Mas e quando o problema de aceitação é entre os irmãos? Seja o mais imparcial possível. Deixe que eles se entendam, mas sempre reforce que não é porque há diferença entre eles, que não podem ser amigos. Converse muito sobre a importância de lidar com as diferenças e respeitar a maneira de ser de cada um. Nunca instigue uma briga ou demonstre preferência por um determinado filho.

E fique sempre muito atento, há crianças que “gostam” de ser muito diferentes com o objetivo de chamar a atenção dos pais. Ou que tentam imitar o irmão por achar que ele é o predileto da casa. Normalmente são crianças mais tristes e rebeldes. E que se não forem acolhidas, se tornarão adultos frustrados.

Diferenças existem e são muito benéficas à humanidade. Saber respeitá-las e administrá-las são as maiores qualidades que um ser humano pode ter. Pois uma coisa é “pregarmos” que devemos aceitar cada um do seu jeito, não ter preconceito com raça, religião, opção sexual etc, outra coisa é lidar harmoniosamente com tudo isso todos os dias dentro e fora de casa.

Há famílias que aparentemente lidam muito bem com as diferenças dos outros, mas quando a diferença acontece dentro de casa é um problemão. E isso normalmente ocorre porque a nossa sociedade tem a tendência de achar que o problema do outro nunca vai chegar dentro da sua casa. Então, resolver e aceitar o problema do outro é muito fácil. Já presenciei uma cena em que um menino de nove anos entrou na conversa da mãe que dizia a uma amiga que ela não tinha problema nenhum com o homossexualismo, que ela até tinha uma amiga que era casada com uma mulher e que elas frequentavam a casa dela, e aí o menino falou: “Ah, tá, você aceita a homossexualidade da fulana mas não aceita que eu faça ballet porque é coisa de homossexual, estou vendo o tanto que você aceita mesmo o homossexualismo”. Seja sempre coerente, os filhos estarão sempre atentos.

Então tente entender as particularidades de cada um e quando não der para compreender, apenas respeite e ame. Lembrando que isso é um exercício diário e às vezes, árduo. Mas que traz paz de espírito e união para toda a família.