Eu disse que em junho as férias dela teriam uma viagem linda. Foi a coisa mais gostosa ver como ela vibrou ao saber pra onde ia e o que ia fazer.

Aí eu disse que não poderia ir. E ela imediatamente gritou “então eu também não vou” e chorou e chorou e chorou enquanto eu chorava baixo também.

Expliquei que não podia, questões de trabalho, mas que ela iria com a mãe e com os avós, que seria ótimo, que a chance era única e nada a convencia. Chorava como quem perdeu alguém, com uma dor que não se finge e um abandono que não se alivia.

Fiquei abraçado bem forte enquanto ela deixava a mágoa sair aos soluços. “Larga esse trabalho, então! Eu não quero viajar sem você! Prefiro ficar em casa!”

E, acreditem, por um instante foi tudo o que eu quis fazer: largar todos os trabalhos, empregos e projetos pra ela nunca mais chorar. Abraçar ela bem forte e levar “pra ver mundo inteiro” como na música que eu fiz pra ela um dia.

Mas o mundo é muito maior do que eu e só posso amá-la e jurar pra mim mesmo que outras viagens virão. Mesmo sabendo que o tempo não volta e que esse choro dela fica pra sempre dentro de mim.

Porque ser pai é escolher e errar e tentar. E não há muito mais que eu possa fazer.