Tá chovendo lá fora. O quintal virou lama, os amigos se esconderam cada um em sua casa, mas o moleque não se acalma, quer jogar bola. Quer brincar de esconde-esconde, quer subir no muro, quer brincar de mãe da rua.

Não adianta, a mãe se lembra muito bem da última gripe, quase uma pneumonia e baixa a lei: “rua só depois da chuva”.

O moleque fica amuado. Liga a tv, corre por 312 canais e desliga. Pega um livro, pula por 120 páginas e fecha. Vai pra cozinha.

Pega uma batata e já é o Doutor Molekowski, cientista russo que fura o tubérculo e enche de pimenta com detergente. Por fora passa desodorante e pede “Mãe, põe no forno pra mim”?

Mas nem espera resposta e já o explorador Molekstone, aventureiro na savana Africana que espreita leões, onças e pula sobre o pescoço da irmã mais velha gritando “peguei uma girafa!”.

Vira o astronauta Molekione, o pintor Molekasso, o professor Molekarte e mil e outros personagens pra virar a casa de cabeça pra baixo.

Lá fora a chuva parou. Lá dentro, o dia mal começou.