A maneira como a criança é criada influencia no seu desenvolvimento psíquico e social. Os
reflexos da criação podem ser percebidos nas brincadeiras e nas suas ações.  Dos 2 aos 6 anos de idade, a criança ainda não consegue distinguir exatamente o que é real e o que é fantasia, preocupando os pais, que supõem que a criança está fantasiando muito, uns cogitam que ela está mentindo. Fantasiar é saudável e só traz benefícios para seu filho.

Devido a dificuldade em diferenciar o real do imaginário é muito comum a criança acordar a noite com medo de algo que ela sonhou e é difícil convencê-la que foi apenas um sonho. Ela acredita piamente que o sonho foi real. Também começam a surgir medos, a príncipio, sem nexo. Mas, após algumas observações, os pais e cuidadores conseguem matar a charada e descobrem o real motivo do medo. E nesta fase também surgem os amigos imaginários, que a acompanha em tudo.

O que acontece nesse período envolve os ajustes do aparelho psíquico, preparando a criança para ser uma pessoa criativa, saudável emocionalmente, segura e feliz. Através da fantasia, a criança conseguirá se estruturar para agir da melhor maneira possível na realidade.

E como os pais podem ajudar nessa fase? Não criticando, incentivando sempre o faz de conta, observando a maneira como a criança brinca e como age no dia-a-dia, reconhecendo, acolhendo,
denominando e diferenciando os sentimentos e conversando muito.

É muito comum nesse período que a criança se torne mais agressiva. E aí os pais ficam nervosos, colocam a criança de castigo, mas não param para pensar o porquê desta agressividade. Muitas
vezes ela aparece porque a criança não está conseguindo lidar com alguma descoberta ou com alguma frustração. E quando os pais apenas a colocam de castigo e não ouvem o que está acontecendo, acabam tamponando um problema que trará conseqüências mais tarde. Pois ,a criança ficará com medo de ser castigada novamente e não repetirá a agressão, mas não resolverá suas inquietações. E aí estas aparecerão de outra maneira, podendo ser de uma forma ainda pior, como por exemplo, uma doença.
Sabemos que há dias que os pais estão cansados e exaustos, em que não conseguirão ter a energia
necessária para esta tarefa, e isso não ocasionará danos absurdos em seus filhos. O problema é quando se repete esta falta de disponibilidade e a criança nunca é ouvida, apenas punida.

Os pais também devem ficar atentos e se policiarem para não proibirem ou dificultarem a vivência das fantasias. Pais que não incentivam e não participam deste mundo do faz de conta fazem com que seus filhos pulem uma fase linda e essencial das suas vidas, além de perderem uma ótima oportunidade de reviver sua infância e quem sabe até se reestruturar psiquicamente.

Criança que não vive o mundo da fantasia é rara e necessita de mais atenção, pois é importante reconhecer o que está acontecendo. Para se viver a fantasia é preciso que se tenha uma maturidade cognitiva. Muitas vezes, uma criança não consegue por falta de amadurecimento, e aí com o tempo ela adquire esta maturidade e, conseqüentemente, entrará na fase da fantasia. Há crianças que com 1 ano já conseguem brincar de faz de conta e outras que só conseguirão em torno dos 4 anos. Se após esta idade ela ainda não consegue brincar de faz de conta então deve-se procurar um profissional, pois provavelmente é algo patológico. Pode haver crianças também que têm uma realidade exarcebada e não gostam de viver as fantasias. Particularmente, não conheço nenhuma, mas já ouvi relato sobre isso. E aí é importante saber se isso é algo da própria criança, ou se há algum impedimento por parte dos pais desta criança em viver as fantasias. Acredito que possa acontecer em casos de crianças muito cobradas, que são expostas precocemente ao real e com isso não aceitam viver as fantasias.

O mais importante é brincar de faz de conta, pois é bom e saudável! E todos da família quando convidados devem entrar neste lindo mundo da imaginação.

Crédito da imagem: Favim.com