Se há uma condição que poderia resumir os nove meses de uma gestação seria: expectativa. Quando decidimos ter um filho, primeiro, vivenciamos a expectativa do resultado positivo. Em seguida, descobrir o sexo do bebê, a ansiedade pelo crescimento da barriga e a espera para saber se tudo está dentro da normalidade.
Quando nos aproximamos do parto, há a expectativa pelos preparativos da chegada do filhote, dos procedimentos do nascimento, da amamentação. Há também a perspectiva de como será a vida após o nascimento da criança, os cuidados, a vivência, a dinâmica familiar, a volta ao trabalho.
Assim foi a minha primeira gravidez. Nesta segunda gestação, vivi um período de grande ansiedade até engravidar. Depois, pontualmente durante sua evolução. A diferença que noto entre uma gestação e outra é que estou menos ansiosa em relação aos sinais do corpo e muito mais em relação ao que está por vir.

Na primeira gravidez tudo é novidade e recebemos inúmeras informações acerca de preparativos como enxoval, cuidados com o bebê, amamentação, parto, pós parto. Na segunda gravidez, a expectativa gira em torno da educação, dos ensinamentos, do cotidiano entre as crianças, das relações mãe e filhas e entre as irmãs. Será que irão se amar? Será que serão companheiras? Será que haverá muito ciúme? Será que essa história de diferença de amor para com os filhos é verdade? Será fácil educar duas crianças com idades diferentes?

Com uma criança já em casa, e que tem passado por todas as fases esperadas em torno da chegada de um irmão – o ciúme, o apego, o dengo, a agressividade – o deslumbre pela gravidez e a maternidade idealizada foram substituídos pela maturidade.

Antes do nascimento de Cecília, eu era uma mãe teórica exemplar, que tinha uma resposta pronta para todos os desafios do maternar, cheia de convicções e certezas. Mas, quando fui mãe para valer, o que contou foi o emocional. Me tornei uma mãe real. Aquela que muitas vezes se perde na paciência, na coerência, na culpa. Uma mãe que vivencia conflitos diários. Uma mãe imperfeita. Uma mãe humana.

Hoje, tenho trabalhado um aprendizado constante para ser a melhor mãe que posso ser. Tento não criar expectativas exageradas em torno da maternidade. A segunda gravidez tornou-se uma oportunidade de superar medos, rever conceitos, desnudar ideologias e me descobrir de novo. Para vivenciar um crescimento como pessoa.

“Mãe: aquilo que dá vontade de gritar quando a gente não sabe o que fazer” 
“Filho: serzinho adorado e todo seu que um dia cresce e passa a ser dele próprio”
(Adriana Falcão)
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Ensaio Acompanhamento Gestacional
Fotos: Val + Wander Fotografias Emocionantes
Ilustração em giz: Dinoleta