Foto: duorama.com.br

Após três anos de Sarinha, decidi engravidar novamente. É que essa pracinha é, digamos assim, um tanto fértil, sabe :)

Na minha primeira gestação, acertamos em cheio e a Sarinha foi concebida de primeira, simples assim. Sonhando com o seu irmãozinho(a), eu tinha certeza que engravidaria rapidinho outra vez. Logo após a primeira tentativa, eu já sentia enjoo e cansaço… Tudo psicológico, acredite. Ao final do mês, o exame trouxe a fatídica verdade: como assim, eu não engravidei?

Segundo mês e uma certa ansiedade tomou conta –  fiz cinco testes de farmácia (!). Eles só podiam estar com algum problema. Até que a bendita menstruação desceu, junto com algumas lágrimas, confesso – são eles, esses policísticos.

Antes de começar as tentativas, um exame de rotina indicava a volta dos tais ovários policísticos, que detectei logo que me casei. Quando a gente tem isso, fica mais complicadinho engravidar. Pode não ser tão rápido quanto imaginamos, a verdade é essa. Mas confesso que não dei o menor crédito para o exame quando vi o resultado. No segundo mês de tentativa frustrada, eu já comecei a considerar que o tal resultado podia estar de fato interferindo.

Comecei a pedir paciência e força, caso eu não engravidasse outra vez. Se fosse para ter uma família com uma filha só, assim seria e formaríamos um lar muito feliz – assim como são tantos por aí.

No terceiro mês, segurei muito a ansiedade, não comentei sobre o assunto com ninguém e, no primeiro dia do atraso menstrual, lá fui eu testar novamente com o exame de farmácia.

Abre a caixa, confere o suporte, faz o xixi.

Fechei os olhos. Pedi paciência se eu não estivesse grávida, sabedoria para aceitar o que tivesse que ser. Abri os olhos. Um risquinho apenas. Abaixei a cabeça, apertei os olhos, senti aquela pontada de tristeza, lá no fundo. Continuei pedindo paciência e tranquilidade para lidar com a situação.

Levantei novamente a cabeça e me senti confusa – o segundo risquinho começou a aparecer, bem fraquinho, no suporte do exame de farmácia. Se eu não soubesse que isso poderia acontecer, diria que era mágica, ou milagre. De certa forma, a geração de uma vida não deixa de ser isso, não é?

E lá fui eu pro Google, me certificar que um segundo traço fraquinho era também um tracinho! E que sim, se o teste de farmácia seguia as regras no Inmetro, eu estava gravidíssima :)

Não sei como, consegui segurar mais uma vez a ansiedade e fiz o exame de sangue antes de dar a notícia, à noite, para o marido.

Na gravidez da Sara, acho que por ser algo tão novo, chorei muito quando percebi que estava, de fato, grávida. Eu sentia um medo fora do normal. Medo do futuro, de não entender como eu conseguiria cuidar de um bebê, conciliar trabalho e maternidade e tantas outras coisas. Me assustei bastante.

Só que dessa vez, com toda a experiência vivida, eu desejava e desejava gerar outra vida. Para amar, para educar, para chorar, para encher de alegria a nossa casa, a nossa vida.

E assim, fiz um cartão simples, que coloquei dentro de uma caixa, sobre a cama, e chamei o marido para abri-la. Dentro dele, a frase “Dentro de mim, batem agora dois corações”.

Ele me olhou, os olhos marejados – “é verdade mesmo?” Um sorriso que aumentava “Mas você não me disse nada, que estava fazendo exames”. Não, eu estava com receio de estar enganada, de não dar positivo. Queria ter certeza.” Nos abraçamos, muito, muito, felizes, felizes.

“E então, vamos contar para alguém?”

“ Não, agora não. Essa notícia, agora, é nossa. Quero senti-la o mais intensamente possível aqui, com você, com a Sara, na nossa casa, na nossa família. Depois colocamos no blog ;)”

Foto: Duorama
Biscoitos de coração: Raining Sugar