Em certas fases da vida, principalmente dos dois aos seis anos, a criança recusa muitos alimentos e só quer comer outros, sem motivo aparente. Esse processo se chama seletividade alimentar, a maioria das crianças o reproduz e coincide com o seu amadurecimento, maior exposição ao convívio social e algumas vezes ao desconforto que determinado alimento provocou no organismo. São crianças que tendem a somatizar agentes externos (mudanças na rotina, discussões, mudanças de babá, escola e outros) a fatores de comportamento (alimentação, por exemplo). Outro motivo está relacionado com a alimentação de rotina – a criança pode se recusar a comer quando é oferecido um mesmo cardápio diariamente (mesmo sabores, consistência e até mesmo cores).

Normalmente, as crianças desse grupo repelem alimentos como frutas, vegetais e alimentos não conhecidos (não aceitam o novo) ou mesmo repelem uma certa cor ou alguma tipo de consistência. Fazem birra durante as refeições, podem jogar o prato e chorar: é muito estressante e angustiante.

Esse quadro realmente preocupa os pais, pois sabemos o quanto a alimentação é importante para a saúde dos filhos.

Como a família pode colaborar?

· Para tranquilizar a família: essa situação não é rara, acontece em aproximadamente metade das crianças;

· Mesmo a criança estando com uma alimentação “pobre”, dificilmente ficará desnutrida (se o peso e altura das crianças estão evoluindo é um sinal de crescimento), então evite recorrer a fórmulas que “abrem o apetite” (para qualquer dúvida consulte um profissional);

· Estabelecer uma rotina (sempre!): para começar é interessante estabelecer horários para as refeições e lanches. Os intervalos podem ser em média de 3 horas;

· Mantenha comunicação com as pessoas que oferecem a alimentação para a criança (escola, babás, avós etc), explique como deve ser realizada e peça um retorno do consumo;

· Não deixar de fazer em casa aqueles alimentos que a criança recusa. Coloca-los à vista e consumi-los normalmente;

· Evite chantagens e substituições em troca (guloseimas, brinquedos novos etc) para evitar o condicionamento da criança a essas situações;

· Cuidado com o oferecimento de sucos. Para a maioria das crianças o suco pode atrapalhar o apetite. A água não tem problema, pode e deve ser dada a todo momento;

· Sempre que possível e com segurança, deixar a criança interagir no preparo das refeições (misturar, amassar, escolher);

· Tentar manter o ambiente calmo e apropriado para as refeições: em uma mesa, sentados, a mesa deve estar livre de outros objetos (computador, brinquedos). Desligar a televisão nesse momento e principalmente se acalmar para não passar a ansiedade natural para a criança;

· Variar na alimentação, ou seja, oferecer um cardápio diferente, pois a criança também cansa da rotina alimentar: mudar tipos de corte, consistência, temperos etc.

“Ele só come macarrão com ovo”: inicialmente ofereça o macarrão com ovo, mas tente colocar a cada dia uma novidade ou mudança no preparo (molho bolonhesa com legumes, com frango, com apenas molho ou ovo cozido, omelete, ovo mexido e tentar enriquecer a preparação: com ervas, legumes, carne) e sempre deixar à vista e às mãozinhas, no momentos das refeições, os outros alimentos que estão sendo servidos (salada, frutas picadas e outras preparações). Aos poucos, combinar com a criança que ela deverá consumir um novo alimento: uma forma eficaz de colocar isso em prática é: dar duas opções para uma escolha (ela vai se sentir bem por escolher e ao mesmo tempo estará consumindo algo diferente), assim: “qual você prefere: brócolis ou tomate?”.

Aos poucos esse quadro tende a amenizar, mas a paciência é imprescindível. Não deixe seu filho perceber que a recusa pode te deixar nervosa ou angustiada (é difícil sim, um exercício a cada dia). A mudança não ocorre da noite para o dia, mas gradualmente.