Quando minha primeira filha nasceu, senti-me, de certa forma, um pouco incomodada durante o tempo em que fiquei em casa amamentando – os primeiros meses. Eu me sentia meio que numa “prisão domiciliar”, porque não tinha muita coragem de tirá-la de casa – nasceu prematura, eram dias muito frios e eu, mãe de primeira viagem, tinha aquela preocupação típica de quem nunca lidou com um pequeno serzinho dependente em casa.

Lembro de me sentir um pouco só. Eu recebia visitas, mas não processava nada direito, afetada pela crítica ausência das necessárias horas de sono para a sanidade mental.

Não tinha TV a cabo. Meu celular não era ainda smartphone – e nem o whatsapp era disseminado. Não tinha tablet. Não participava de grupos de mães no facebook.

Conclusão: assisti a todos os capítulos de Mulheres de Areia, que estava no Vale a Pena Chorar de Novo e passava justamente no horário coincidente com a amamentação da tarde. Ruth e Raquel fizeram parte da minha licença maternidade, confesso. Só faltou o Da Lua vir me visitar.

Bom, são quase quatro anos de diferença e inacreditavelmente, nesse tempo, a tecnologia se disseminou de uma forma incrível. A maioria das pessoas tem o telefone dos mil aplicativos e a internet está acessível em quase todos os lugares.

Acompanhei como as minhas amigas que se tornaram mães durante esse tempo puderam usufruir tão beneficamente desse suporte tecnológico – mesmo “presas” em casa nos primeiros meses, a comunicação on-line acabou se tornando um suporte psicológico e prático que fez muita diferença para que esse período da licença maternidade – seja ele tranquilo, seja pós traumático – fosse mais leve e prazeroso.

No whatsapp, foram muitos os plantões da madrugada que acompanhei das minhas recém-mamães-amigas (porque afinal de contas, mesmo com a filhota já maiorzinha, a gente nunca mais dorme a noite inteira como antigamente). Elas não estiveram e não estão sozinhas, porque esse aparato se tornou ferramenta fundamental de apoio e solidariedade entre todas. É uma contando que o bebê parece estar com cólica, outra dizendo que o intestino não funciona, outra comentando sobre a dificuldade de amamentar, postando foto do primeiro sorriso, do novo lacinho na cabeça. E dicas e mais dicas rolando pra lá e pra cá. Os grupos de mães no facebook, nem se fala. O que comecei a acompanhar logo que a pequena nasceu, pelo computador, ficou incrivelmente acessível com as páginas na palma da mão.

À espera do meu pequeno Raul, fico imaginando que esse período pode ser bem diferente do vivido após a minha primeira gestação. É claro que todas essas ferramentas – smartphone, tablet, whatsapp – não valem de nada se do outro lado não houver pessoas realmente interessadas em nos acompanharem, amigos e amigas verdadeiros que apoiem essas mamães nos primeiros momentos. Mas juntando as duas coisas, é bem possível que a tecnologia trabalhe a nosso favor. E eu espero que as lembranças desses momentos fiquem longe de uma nova-antiga-novela assistida durante os momentos de amamentação.

E para vocês, a tecnologia hoje ajuda a lidar com os primeiros dias do bebê? Qual tipo vocês acham que faz a diferença? Smartphone, tablet, tv a cabo, netflix?