Favim.com

Vocês observam o que seus filhos falam, gritam, berram, imploram, esgoelam sem ser através do
choro ou da voz (palavras, gritos e berros)?

O ser humano é capaz de se expressar de várias maneiras. E, infelizmente, muitas vezes apenas
aquilo que é dito com palavras é que é captado pelas pessoas. Mas, normalmente, o que as palavras não dizem são mais importante e são o que realmente deveria ser absorvido por quem está por perto.

No consultório é muito comum pais relatarem mil queixas dos filhos, e ao atender as crianças, as são muito diferente dos problemas identificados pelos responsáveis. E isso também acontece com os adultos, pois foram tão acostumados a não serem escutados e acolhidos que, para se protegerem, escondem de si o que realmente incomoda. Então chegam ao consultório com sintomas variados que apenas encobrem aquilo que realmente dói.

Até os 10 anos de idade, a criança não têm a capacidade plena de expressar com palavras tudo
aquilo que ela está sentindo. Então ela parte para outras maneiras de mostrar que algo não está bem. As menores, até os 3 anos de idade podem começar a bater, morder, puxar cabelo, fazer birras. As maiores costumam regredir, umas voltam a fazer xixi na cama, outras voltam a agir como crianças de 2 anos ou até menos, ficam mais agitadas, tem alterações no sono e no apetite, ficam mais agressivas, choram, tem mais pesadelos, tem dificuldade em conviver com outras crianças etc. E se não são acolhidas, escutadas, e auxiliadas a entenderem o que está realmente incomodando, se tornarão adultos inseguros que também não serão capazes de expor, de entender e elaborar seus medos e frustrações.


Normalmente estes pedidos de socorro aparecem após alguma perda ou mudança. É muito comum quando os pais se separam, quando mudam de cidade, escola ou quando algum ente querido falece. Podem ocorrer com a mudança de professor na escola, com a chegada de um irmão, com
um novo relacionamento dos pais, presenciando o sofrimento de um amigo, numa doença com a
própria criança ou com alguém que ela goste muito, falecimento de um animal de estimação,
retirada de fralda, mamadeira ou chupeta. 
Enfim, tudo na vida tem dois lados e em todos os casos têm-se ganhos e perdas. Ensinar a criança a lidar com novas situações não é tarefa fácil, mas é essencial. É preciso que a criança aprenda a ganhar e a perder. Lidando com todos os sentimentos que aparecem nessas situações. E isso deve ocorrer desde pequena, nomeando o que ela está sentindo. E mostrando que é muito importante expressar seus sentimentos, mas que não precisa ficar agressiva nem adoecer. Basta expor e elaborar aquilo que a incomoda.

Quando você perceber que seu filho está passando por algum momento difícil e que não está
conseguindo se expressar, procure-o e incentive de todas as maneiras para que ele se abra e
elaborar tudo que está acontecendo. Nunca rejeite, ou finja que não está vendo. Não menospreze nenhuma forma de expressão de ninguém, mas principalmente das crianças. Uma falta de atenção hoje pode ser a causa de uma drogadição amanhã.

Então, você está ouvindo seu filho?