Logo que descobrimos o sexo do bebê e escolhemos o seu nome, fomos presenteados com o lindo poema da Cecília Meireles sobre o Raul por uma amiga especial.

Não consegui parar de pensar nele e, perdoe-me Meireles, mas adaptei uma pequena parte para a realidade dessa família que espera um bebê e vive buscando estratégias de preparação para uma recepção tranquila da pequena com a chegada do irmão. A Arabela, companheira do Raul no poema, cedeu o lugar para a Sara Bela, que será a companheirinha desse Raul aqui, que esperamos com alegria:

Jogo da Bola

A bela bola rola:
a bela bola do Raul.
Bola amarela, a de Sara bela.
A do Raul, azul.
Rola a amarela
e pula a azul.
A bola é mole,
é mole e rola.
A bola é bela,
é bela e pula.
É bela, rola e pula,
é mole, amarela, azul.
A de Raul é de Sara bela,
e a de Sara bela é de Raul.


Cecília Meireles
(Ou Isto ou Aquilo)

Eu não sei como será a recepção da pequena em relação ao irmão, mas tenho feito o que posso para que troquem as bolas sem maiores traumas. Sei que passaremos dificuldades. Mas minha primogênita é amada e querida, vamos caminhando e buscando deixar claro que ela é e será sempre a irmã querida e especial do Raul.

O que já temos feito parar preparar o meio de campo:


:: conversar sobre a chegada do irmão – o anúncio não foi bem o que imaginamos, mas ela já anda empolgada – menciona o irmão quando vê coisas de bebê e sugere que seja para ele. Ok, estamos indo bem por enquanto.

:: estimular com o “novo” quarto que vai ganhar. Pensamos um tempo se colocaríamos os dois no mesmo quarto ou não. Achamos melhor cada um ter seu espaço – apesar de, na realidade, funcionar bem seja qual for o formato definido. Isso vai depender da configuração de cada família. Cada vez que falamos do berço e enxoval, completamos com um “e você vai ter uma almofada nova, e você está grande e vai ter um quarto especial com cama e mesinha” e por aí vai.

:: envolver a irmã nos itens adquiridos para o bebê – provavelmente vou deixar para comprar só os itens que tiverem ficado pendentes no finalzinho da gestação. Temos recebido com alegria carrinho emprestado, enxoval de segunda mão e tudo o que é possível – especialmente nessa situação em que não estou aproveitando quase nada do enxoval da irmã. Assim, a cada roupinha ou acessório, perguntamos se gostou, se acha que o irmão vai ficar “fofinho” e por aí vai. Sem exageros, mas sem também “esconder” o que está acontecendo.


:: evitar ficar perguntando “você está feliz por ganhar um irmão”? Por motivos óbvios. É como se perguntássemos: está feliz por ter que dividir sua mãe e seu pai? Por ter que ceder seu quarto? Por ter que dividir seu tempo com um bebê? Desnecessário, né? Melhor atitudes positivas com um “puxa, como você cresceu, já está bem sabida e vai poder ensinar coisas para os menorzinhos, como o seu irmão, que vai chegar”.

:: pedir ajuda para escolher o nome – mas dar poucas opções. No caso da Sara, ela escolheu por conta própria um nome que já tínhamos na família, conversamos e escolhemos outro.

:: contar que ele vai chorar – não porque ele é chato, mas porque ele não sabe conversar ainda.

:: sentar alguns momentos do dia ao lado dela para contar sobre como o bebê está crescendo, colocar a mãozinha dela sobre a barriga para tentar sentir o irmãozinho mexendo. Mas isso tudo, só se ela quiser. Sara tem curtido, vamos caminhando.

:: mostrar o filme do ultrassom para ela – hoje em dia o ultrassom está cada vez mais nítido e ela tem achado bem divertido assistir aos pulinhos e remelexos do irmão.

:: pedir para ela ouvir o som na barriga e perguntar se está ouvindo o irmãozinho – “o que ele deve estar fazendo agora?” Muitas vezes ela não escuta é nada, diz que ele está dormindo e sai para brincar. 

O que você está fazendo agora, irmãozinho?

:: essa dica peguei do blog Mammy em Dobro e achei super legal: “Inicie a montagem de um álbum com fotos de seu filho mais velho desde a época que ele era bebê e deixe um espaço ao lado para adicionar as do irmãozinho que logo chegará. É uma maneira do primogênito entender que ele já foi pequeno e frágil como será o bebê que está por vir.” Ainda não fiz, mas tá tudo planejado.

:: usar livrinhos que ajudem a entender o momento e auxiliem na chegada – Bebê e Eu, Como ele foi parar aí dentro? e o próximo da lista é Meu Irmãozinho me Atrapalha – bem sugestivo, hein?

Não sei se o que tenho feito é exatamente o melhor caminho, mas espero que essas atitudes sirvam de preparação para que os pequenos possam, daqui a um tempo, não só trocar as bolas, mas dividi-las também com os demais, crescendo em carinho e gentileza.
PS. 1: A Flávia também abordou em um post super legal como foi a reação da Ciça em relação à chegada da Olívia e em breve vai contar pra gente como está sendo agora, quando o bebê já está entre elas.

PS. 2: Conte pra gente o que vocês têm feito (ou fizeram) para preparar o meio de campo na chegada do segundinho também :)