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“Mamãe, tô namorando!” Quem tem filho entre 3 e 5 anos já ouviu essa frase e provavelmente não gostou, se assustou e ficou sem saber o que fazer.

Nessa idade, a criança começa a perceber que os adultos namoram, mas para elas namorar nada mais é do que estar junto de quem ela gosta e sente bem para brincar. Elas não dão ao namoro o significado sexual que o adulto dá.

Na maior parte das vezes, essas brincadeiras surgem com o incentivo de um adulto. E se não houver cuidado pode causar um estrago grande entre as crianças. Pois, há crianças que são mais
desencanadas e que não ligam para a brincadeira, lidando bem com a situação. Mas há aquelas mais tímidas que passam até a não querer ir à escola para não ter contato com o “namorado” que
os adultos lhe deram.

Independentemente da situação, devemos sempre conversar e procurar saber o que a criança entende por namoro. Como ela tem um referencial de namoro muito diferente dos adultos,
não se deve jamais incentivá-la a beijar na boca do amiguinho/a, pois com certeza não é isso o que ela quer. Elas não têm maturidade nem biológica nem emocional para isso. 
Mas, e se as crianças se beijarem na boca?
Se acontecer de sem querer duas crianças se beijarem na boca, não façam nenhum tipo de alarde, pois ou a criança vai ficar sem graça e travar para demonstrar qualquer tipo de carinho ou vai passar a querer beijar todo mundo na boca para chamar a atenção.

Devo podar as brincadeiras de namoro? E se ela disser que namora a coleguinha do mesmo sexo? E se a cada dia ela contar que tem um “namorado”novo?


Não se pode podar totalmente as brincadeiras. As crianças podem e devem brincar de casinha sendo uma a mamãe e outra o papai. Elas podem dizer que vão se casar com o coleguinha, elas podem dizer que vão namorar ou casar com coleguinhas do mesmo sexo. Elas não dão ao namoro ou ao casamento a conotação sexual que os adultos dão. A Camila dizer que é namorada da Ângela não quer dizer que elas são ou serão homossexuais. Também não se assuste, pois cada dia o namorado/a pode ser um coleguinha diferente e isso não quer dizer que a criança será uma adolescente promíscua, pelo contrário, isso é um ótimo sinal de que ela se relaciona bem com vários amiguinhos.

E se o incentivo vier da escola?

Aí é preciso conversar com os responsáveis da escola para que isso não ocorra. Pois a chance de fazer a criança se afastar da escola e do “namorado/a” é muito grande.

Devo chamar o coleguinha de genro ou nora?
Também é comum os pais dos coleguinhas chamarem a filha de um de nora ou filho do outro de genro. Não façam isso. As crianças, na maioria das vezes, vão tomar antipatia de você e do seu filho/a.
Então, o ideal é não “adultizar” as brincadeiras e as falas das crianças, mas sempre orientar e conversar sobre o assunto, sem deixar que a brincadeira passe do limite, ultrapassando a
capacidade de entendimento bio-emocional delas. Fique atento também para não colocar as suas próprias dificuldades, medos e decepções sobre seus filhos, lembre-se: ele não é um mini-você.
Lembrando que somente por volta dos 12 anos as crianças passam a se interessar afetivamente por alguém e com isso começam a namorar. Antes disso, muita brincadeira vai
acontecer e inclusive passarão por um período em torno dos seis anos que meninas não suportarão os meninos e vice versa.

Então, curtam seus filhos, entrem nas brincadeiras e os deixem se divertir! Lógico que sempre de olho no que eles estão fazendo e falando, para ser capaz de orientá-los corretamente.