Foto: Vivane Lacerda

“Mamãe vai me dar um irmãozinho
Estou contente
Que bom

Meu pai diz que é ruim ficar sozinho
E tudo que é meu será dos dois
Até a mamãe e o papai de nós dois

(…)
O nosso apartamento é pequeno
E o meu quarto é pequenininho
Então papai e mamãe me disseram
Dá-se um jeito
Que vale? O que importa? Que o filho já tá quase batendo na porta!
Vai pegar meus brinquedos!
(…)
Até que é bom ficar sozinho
Não sei porque o papai diz que é ruim
O que é ruim pra ele, é bom pra mim
Perguntei se pelo menos ele vai saber que eu sou sua irmã
Responderam que não… vou ter que esperar…”

(Irmãozinho – Palavra Cantada)

Eu tenho um único irmão e a diferença de idade entre nós é a mesma de Cecília e Olívia, 4 anos. Tenho algumas lembranças da época da gravidez da minha mãe: a sensação que sentia por saber que ganharia uma irmãzinha e a chegada do meu irmão em minha vida. Irmãzinha? Sim, naquela época, os US não eram feitos de forma recorrente, e a minha mãe havia recebido a notícia que o bebê seria uma menina. Pois bem, adorei a ideia e saía pela casa carregando a minha boneca por todos os lados, apresentando como a minha irmã, que até nome tinha: Mariana. Lembro-me também da sensação que vivi com um novo bebê em casa, que veio totalmente novo, já que eu aguardava a Mariana. Fiquei frustrada, pois não era o que eu esperava e tive ciúmes daqueles de adoecer, sabe? Como os tempos eram outros, tudo era considerado normal e não se pensava em como remediar com a literatura que temos hoje.

Diante da minha vivência, o meu maior receio, e que é compartilhado por várias amigas grávidas do segundinho, era a reação do primeiro filho. Em nossa família, o ciúme surgiu sim, e se apresentou tanto no âmbito físico, quanto no psíquico e no comportamental. E me fez perceber que a diferença de 4 anos não deu maturidade à Cecília para entender toda essa novidade em sua vida, afinal, ela ainda é uma criança e não uma mini adulta… Muitas mudanças vivenciadas nestes últimos meses fazem parte da sua idade, mas que na minha percepção foram potencializadas no nível máximo pela chegada da irmã.
Relaciono para vocês e conto como tenho tentado contornar as situações.

Foto: Viviane Lacerda

Sono & Pesadelos

O sono de Cecília mudou ainda na minha gravidez. Se antes dormia a noite toda, assim que a barriga despontou, a pequena passou a acordar uma ou duas vezes na madrugada. E só chamava pela mamãe. Sei que Ciça está em uma fase em que os pequenos começam a ter pesadelos, porém, ela só voltou a dormir a noite toda após o nascimento da irmã.

Sensibilidade

A pequena anda extremamente dengosa, super sensível, chorando muitas vezes por motivos que outrora não a aborreciam. Tento ao máximo me policiar para não criticá-la, respeito seus sentimentos e negocio, mas muitas vezes é díficil domar a nossa fera interior (assunto para outro post!) e evitar dizer “Não!” o tempo todo ou perder a paciência.


Ansiedade

Ela descobriu a palavra e vive soltando por aí: “estou muito ansiosa!” Chega a ser engraçado… Fato é que realmente está mais ansiosa, afoita, impaciente e é um exercício diário fazê-la esperar a sua vez para algumas atividades, tais como: pegar algo que pediu enquanto cuido da irmã; aguardar já pronta a hora de sair; entre outras situações. A escola tem sido um grande apoio, pois por lá ela tem que esperar a sua hora para ser atendida, para fazer as atividades, para brincar.

Independência

A necessidade constante de chamar atenção afetou algumas atividades que já executava de forma independente (supervisionada), como ir ao banheiro ou se alimentar sozinha. Nos primeiros meses, ela pediu nossa companhia para observá-la e para darmos o “papapá”. Tentei acompanhá-la a mesa e incentivar suas conquistas. O que tem ajudado muito é o exemplo das amigas. Recentemente, ela participou de uma festa do pijama na casa de uma prima querida (com amigas de sua idade) e percebi que ela tem achado o máximo mostrar pra gente que sabe fazer as coisas, como sentar a mesa e comer sozinha, trocar de roupa, ir ao banheiro etc – tudo reflexo do que viu as outras fazerem (e um alento para essa mãe!).

Esse retrocesso também foi notado na natação, uma atividade que ela ama. Cecília nada desde bebê e já tem uma grande desenvoltura na piscina, mas as primeiras aulas de retorno após o nascimento da irmã foram como de uma estreante na modalidade. Também sente extrema necessidade de chamar a minha atenção, ouço pelo menos uns 10 “mãe” vindos da piscina durante a aula…

O medo de ficar “sozinha”

A palavra “sozinha” é repetida por ela muitas vezes ao longo do dia: “mas eu irei ficar sozinha?”. A chegada da irmã mudou o eixo de seu mundinho de tal forma que, às vezes, ela se sente “abandonada”. Para acalmá-la, amamento Olívia perto dela, assisto TV com ela, a busco na escola, levo na natação, a coloco para dormir, leio e brinco sempre que possível, e vamos à praça todas juntas. Mas, mesmo assim, a gente percebe que o receio está ali.

O reflexo na saúde

Há um mês ela desenvolveu uma infecção urinária, que suspeitamos – nós e a pediatra – ter sido causada por esse turbilhão de mudanças em sua vida com a chegada da irmã. Principalmente, a ansiedade. Ela estava segurando-segurando-segurando até não aguentar mais e soltar o xixi pelas pernas. Foi identificado rapidamente e tratado, mas é um alerta para ficarmos de olho em todos os sinais.

As mil e umas dores

Tudo é potencializado. Uma pequena dorzinha vira algo insuportável e geralmente acompanhado daquele berreiro. Ou se realmente é uma dorzona, a cena torna-se digna de um Oscar. A saída é ter muita paciência.

Hoje, após 5 meses da chegada da irmã, a cada dia há uma melhora e tratamos tudo com muita paciência e carinho. O importante é viver um dia de cada vez e mostrar ao primeiro filho que o amor não se divide, ele se multiplica.

E com vocês, mamães de segundinho, como tem sido?