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Sabemos que a vida em sociedade exige respeito e compreensão, não é nosso papel julgar, mas temos o direito de não concordar com tudo que acontece ao nosso redor.

Ultimamente, acompanho com muita tristeza o quanto os filhos estão sendo deixados de lado. Tudo e todos são mais importantes do que os filhos. E com esse abandono, as crianças infelizes, inseguras e sem educação, vêm se tornando maioria. Felizmente, pais que buscam programas culturais para os filhos, dedicam um tempo para ler artigos e blogs sobre o “maternar”, com certeza sabem equilibrar seus papéis (pais, filhos, profissionais, irmãos, tios, amigos etc) e com isso oferecem aos seus filhos o que eles merecem e precisam para se tornarem seres humanos seguros, felizes, saudáveis e realizados.

Não é obrigação dos pais fazer tudo que seus filhos querem, nem fazer só os programas “que a nossa sociedade diz que são voltados para eles”. Mas é obrigação oferecer oportunidades para as crianças terem a chance de experimentar o mundo. Isso inclui ir ao museu, passear pelas cidades históricas, ensinar os tipos de vegetação em cada viagem, mostrar as diferenças culturais de cada lugar e até mesmo de cada família. E para que isso ocorra com mais eficácia, é fundamental que os pais sejam presentes, pois, como a criança, não poderão reconhecer que a cultura de outra família é diferente da dela, se ela não tem muito claro como é a sua própria cultura familiar.

Defendo a teoria de que se você quis ter um filho, você é obrigado a oferecer a ele tudo o que precisa. E não estou falando de bens materiais, o que o filho mais precisa é de amor, carinho e presença. Esses três fatores vão fazer com que a criança se sinta segura e com isso ela será capaz de experimentar as
vitórias e frustrações com a certeza de que tem um porto seguro para apoiá-la e ensiná-la que nem tudo na vida são flores.

O papel dos pais não é colocar o filho em uma redoma impedindo que nada de ruim aconteça, nem esconder dos filhos as ruindades do mundo. Ao contrário, os pais devem ensinar aos filhos que nem sempre eles vão ganhar, que algumas vezes eles vão ficar tristes, que realmente é ruim quando não conseguimos algo que queríamos, mas que não se pode deixar que a derrota acabe com a vida. Se não deu certo hoje, vamos tentar de novo amanhã, ou vamos partir para outra conquista. E este tipo de ensinamento acontece muito mais por exemplo do que por palavras, e as crianças são capazes de aprender desde muito cedo.

Há poucas semanas minha filha de três anos acordou e pediu para que eu contasse histórias ainda
deitada. Então contei a dos três porquinhos e no final perguntei para ela: “e você será feliz para
sempre?” E ela me respondeu: claro que não, eu não sou historinha, terei alguns motivos para ficar
triste, mas terei mais para ficar feliz. Essa resposta dela me surpreendeu, pois não imaginava que
ela já tinha compreendido que não dá para ser feliz para sempre, pois sempre haverá algumas
coisas que nos deixarão tristes.

Por fim, quero deixar um pedido: não abandone o seu filho. Ele precisa de você, ele vive sem os
eletrônicos, sem os brinquedos caros, mas ele não vive sem amor. E amor de pais é diferente de
avós, babás e professoras. Não é preciso estar 24 horas grudada em seu filho, mas estar presente
(de corpo e alma) o máximo que puder. E colocá-lo como prioridade ao invés de seus amigos e
saídas fará dele uma pessoa feliz, criativa, saudável e segura. Não invente desculpas que dificultem a sua convivência com ele. A criança prefere fazer um programa chato com os pais do que ficar em casa com a babá ou na casa dos avós. Deixe seu filho bater asas, não as corte, mas no início da vida dele voe junto.