Ao conhecer o tipo de inapetência que a criança tem, podemos auxiliar melhor em seu tratamento. A criança pode ter as seguintes características:

;: Criança muito ativa com pouco interesse em parar para comer: são crianças muito “ligadas” e que estão mais interessadas em seu ambiente do que necessariamente na alimentação, não conseguem focar no ato de comer e normalmente têm pouco apetite e se saciam com pouca comida. O que fazer? Estimular o apetite: não oferecer lanchinhos ou suco entre lanches e refeições. As refeições devem ser fracionadas em 5 ou 6 por dia (a criança vai comer menos, mas vai comer mais vezes ao dia para compensar). Colocar pouco no prato e se houver vontade pode repetir (o prato muito cheio desestimula o consumo).

:: Criança com apetite reduzido: se a criança está com altura e peso ideais, mas apresenta apetite reduzido, normalmente essa é uma característica própria e não deve promover ansiedade para aumentar o consumo, deve ser natural e vir da própria criança. O que fazer: a família deve conter a pressão ou comparações (o amiguinho da mesma idade come muito mais, por exemplo), nunca forçar. Manter a alimentação familiar, saudável e dentro da rotina e sempre acompanhar o crescimento da criança.

:: Criança apática com pouco interesse na alimentação: são crianças que sorriem menos, têm dificuldade em manter o contato com o olhar e de comunicação. O que fazer? O foco é promover entusiasmo no momento da alimentação, deixar o ambiente em clima positivo, sem excesso de brincadeiras. Se alimentar conjuntamente se possível e mostrar, através de seu exemplo, alegria no ato de comer bem. A escola tem um papel fundamental: normalmente possuem prática no incentivo alimentar (procure se informar).

:: Criança altamente seletiva: criança que em certa fase se nega a comer certos alimentos sem fundamento algum ou “cismam” com textura, aparência ou cheiro. Normalmente essas crianças têm sensibilidade maior ao barulho e luz forte. O que fazer? Não retirar do ambiente alimentar os alimentos rejeitados. Introduzir sistematicamente o alimento rejeitado, em dias alternados, juntamente com os alimentos aceitos. Não forçar e nem oferecer recompensas. Nesse caso, persistência e paciência são o foco. A fase pode demorar um pouco a passar, mas o resultado é sempre positivo. O exemplo familiar conta muito.

A maioria das crianças não passa pela infância sem algum tipo de “dificuldade” alimentar, ao contrário do que a maioria dos pais pensa. Se a família mantiver seus hábitos saudáveis, a rotina alimentar e for firme em seus objetivos, conseguirá estabelecer na criança hábitos alimentares positivos que permanecerão por toda a vida.