O papel do psicólogo é diagnosticar, prevenir e/ou tratar distúrbios psíquicos e comportamentais. Não há uma idade certa, nem um problema específico que seja um marco para levar a criança ao psicólogo. Cada pessoa é uma, e um mesmo problema em duas pessoas diferentes pode fazer com que uma precise de ajuda de um profissional e a outra não.

Quando falamos de terapia para crianças devemos avaliar bem a queixa e quem está procurando esta ajuda. Pois é muito diferente os pais que procuram ajuda porque a criança é autista, hiperativa, dislexa, ou possui uma doença física, ou a escola ou os próprios pais apresentam queixas comportamentais sobre a mesma.

Muitas dessas queixas comportamentais podem ser causadas por quadros ainda não diagnosticados, sendo necessário um trabalho interdisciplinar com psiquiatras, neurologistas e outras especialidades médicas e de outras áreas da saúde. Nos casos que têm uma doença de base é importante que a família tenha acompanhamento psicológico desde a descoberta da patologia. Pois sabemos que quando se tem uma orientação e um espaço em que se pode falar abertamente de seus medos e angústias o problema não acaba, mas diminui de tamanho e fica menos difícil de enfrentá-lo. Caso seja o cenário, sabemos que a criança com a idade em torno de um ano já é permite um trabalho para que dentro de suas limitações consiga desenvolver da melhor maneira as suas capacidades emocional, social e cognitiva.

Quando a queixa é comportamental – chora demais, grita demais, é tímido demais, morde, bate, faz muita pirraça, não presta atenção na aula, entre outros – é importante primeiro ouvir quem traz a queixa. Para procurar entender e colher informações de como é a criança em cada ambiente seja na família, na escola e na sociedade.

Há casos em que apenas com uma orientação para os pais e para a escola, o problema já é solucionado. Em outros, é necessário que a criança realmente faça um acompanhamento, para que ela fale ou demonstre de outras maneiras o que realmente a está incomodando. E o ideal para se iniciar este acompanhamento é assim que perceber que algo não está bem. Não importa se a criança tem um ou dez anos, percebeu que alguma coisa não está legal e não está sabendo como solucionar, então procure ajuda de um profissional.

Acredito ser melhor nos prevenir, procurar ajuda por causa de uma “bobagem” do que deixar para lá e isso se transformar em um fantasma gigante na vida da criança e da família. Psicólogo não é o melhor
amigo, não é feiticeiro, não tem bola mágica nem é só para pessoas doentes. Nós somos os profissionais que têm como objetivo acolher a queixa, descobrir a causa e proporcionar as ferramentas para que aquilo não lhe cause tanto sofrimento o resto da vida. Sempre respeitando o seu tempo e a sua maneira de ser.

Portanto, procure ajuda sempre que achar necessário. E quanto antes melhor. Não espere uma queixa se tornar doença. Pois é sempre melhor prevenir do que remediar.