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Quanto mais velho eu fico, mais adeuses vou dizendo. Deixo de conviver com gente que era do meu emprego, com quem estudou comigo na faculdade, com quem mudou de cidade, com quem era meu cliente.

Talvez seja essa a grande diferenca entre crianças e adultos. Quando criança a gente diz muito mais “oi” e quando é adulto diz muito mais “tchau”.

Às vezes basta que alguém goste de pirulito de morango para ser seu mais novo amigo na escola. Às vezes basta que alguém goste de pirulito de morango para deixar de ser seu amigo na vida adulta.

A verdade é que a gente vai perdendo o prazer do novo e descobrindo o prazer da posse. Não queremos mais conhecer o mundo todo, ir a todos os shows de rock, abraçar todo mundo que encontramos. Basta um programa de viagens na tv, um HD cheio de músicas da sua banda favorita e os três ou quatro amigos com quem você se encontra muito.

Já consigo ouvir as pessoas dizendo “mas eu ainda viajo muito, mas eu ainda vou a todos os shows, mas eu ainda quero abraçar todo mundo” e fico feliz. Eu também tenho um pouco disso, quando as contas deixam, quando o tempo autoriza, quando o dever permite.

E aí quando me dizem “mas você é animado de fazer tantos programas com a Sophia”, penso que faço muito pouco. Quase nada. Porque como pai não cabe a mim ditar a ela os limites dos sonhos e dos desejos.

Muito pelo contrário.

Cabe a mim dar a ela cada vez mais caminhos, mais campos abertos, mais possibilidades de dizer “oi” e de se tornar a melhor amiga de alguém que gosta de pirulito de morango.