Quando um
casal resolve ter o segundo filho, sempre se preocupa com a reação
do filho mais velho e faz de tudo para que ele se envolva com os
preparativos para a chegada do irmão na tentativa de amenizar as
consequências que isso causará em sua vida. Essa preocupação é
válida, deve sim haver todo um preparo para que o filho mais velho
se sinta tão especial quanto o irmão que está chegando.
Aí o
bebê nasce e nos três primeiros meses há a adaptação, criando-se uma nova rotina familiar. Por volta dos seis meses, o bebê começa a interagir e fazer mil gracinhas, todo mundo fica de olho nele. Geralmente, nesse época, surge o período de ciúme do irmão mais velho. 
Se o irmão mais velho é uma criança, ele não
entenderá exatamente o que está acontecendo e, por isso, não saberá se
expressar verbalmente o que está sentindo. Então, inicia-se uma
fase com muitas birras, choros (aparentemente sem motivos), manhas,
carência (querer a presença e afeto dos pais a toda hora),
regressão na independência (volta a fazer xixi na calça ou na
cama, o desejo de experimentar a mamadeira ou chupeta do irmão, o desejo de volta a
dormir com os pais), alteração no sono e/ou apetite, desobediência,
ansiedade (roer unha, colocar o cabelo na boca) e medos (de ir a
escola, de ir a algum lugar sem os pais).
Dependendo da idade que a criança está, por exemplo, com 2 ou 3
anos, estes fatores passam despercebidos, pois são confundidos como
fase natural do desenvolvimento. Mas não é. O que já é um período
com muitas descobertas e tentativas de impor suas vontades e
preferências é potencializado pela carência. Quando a criança já
é um pouco maior esta fase fica bem clara e é mais fácil reconhecer os seus sentimentos. O que não significa que seja fácil resolver o problema. 
Independente
da idade do filho mais velho, é necessário que haja muito diálogo na família. Tanto com o filho mais velho
quanto com os parentes e amigos. Deve ser mostrado para a criança que
os dois ou mais filhos têm a mesma importância, mas que cada um é
de uma maneira. Pois também é muito comum acontecer situações de comparação entre comportamentos, por exemplo: o primeiro filho é  mais sensível, ou tímido, e o segundo é sorridente e sociável, as pessoas começam a comparar os comportamentos, e a criança mais velha acaba se sentindo inferiorizada. Então, é fundamental ressaltar as diferenças e reforçar que é por isso que cada um é
tão especial. E aos parentes e amigos
deve ser solicitado que tenham mais cuidado com o que falam e que
deem atenção à criança mais velha também.
Esse comportamento não acontece só com a chega do irmão, ou seja, ainda na fase bebê. Ocorrerá durante toda a vida dos irmãos, por isso, os pais devem ficar atentos as reais demandas de cada filho. Pois cada um necessitará de
um tempo, de uma maneira de falar, de uma maneira de educar, de
combinados diferentes etc. E quanto mais cedo essa consciência for
formada e implantada em toda a família mais rápido a paz e a
harmonia aparecerão.
Papais e Mamães com dois ou mais filhos, não se desesperem. Pelo contrário,
se acalmem e escutem o que seus filhos estão querendo lhe dizer. E
aí façam as adaptações necessárias e curtam seus pimpolhos da
melhor maneira possível.