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Nos últimos dias, a quantidade de matérias sobre o maternar e a cobrança que as mães sofrem para serem perfeitas, me impressionou. Este é um assunto que desperta minha atenção, sempre tento trabalhar comigo e com meus pacientes.

Afinal, é possível ser uma mãe perfeita? Segundo o dicionário Houaiss, perfeito é sem defeito, impecável, irrepreensível, excelente, primoroso e bem acabado. Então, a meu ver não há como ser perfeita – nem a mãe, nem o pai – pois sempre temos o que aprender e o que melhorar.

A vida é subjetiva, cada um tem seus valores e seus pontos de vista. E com isso cada um vive ou deveria viver de acordo com aquilo que acha que é o melhor para si e para sua família. Ou seja, não dá para ser perfeita, mas pode-se e deve-se sempre fazer o melhor que conseguimos.

Para isso, é preciso deixar de lado o medo do julgamento, do erro e da exclusão. Muitas vezes quando se tenta fazer o certo, no meio do caminho pode acontecer de você perceber que aquilo não é tão certo assim. Voltar atrás ou procurar uma nova forma de fazer, não a diminui ou a faz um ser menor que os outros. Pelo contrário, aquele que reconhece o seu erro e faz algo para corrigi-lo tem uma atitude especial.

Muitas vezes, você tem a certeza que está no melhor caminho, mas aí aparece um palpiteiro de plantão e diz que está tudo errado, não é mesmo? O que acontece? Você fica com aquela pulga atrás da orelha e acaba deixando de fazer aquilo que tinha certeza, para seguir um modismo, um conselho equivocado, ou agir como julga que todos os outros assim o farão, mas que pode não ser bom para a sua família.

É preciso ter em mente que tudo na vida tem dois lados. Sempre que fazemos uma escolha, estamos ganhando algo, mas também perdendo alguma coisa. Por isso, receio muito quanto ao radicalismo, à  “verdade absoluta”. Com o fácil acesso às informações que temos hoje, muitas vezes torna-se difícil discernir sobre o que seria o certo ou o errado. Por exemplo, na semana passada, li dois artigos: o primeiro afirmava que criar as filhas como princesas só trazia malefícios para as meninas, já o outro, dizia exatamente o contrário. 

É muito comum nos depararmos com esses conteúdos contraditórios. Nossa sociedade está sobrecarregada de pensamentos e julgamentos radicais. Muitas vezes, se não seguimos o conselho, somos julgadas como péssimas mães.

O equilíbrio em tudo na vida é fundamental. Sabe aquele ditado que diz nem tanto ao céu nem tanto ao mar? É dever das mães – e dos pais – estarem atentos ao momento em que os filhos estão vivendo e agir de acordo com o que consideram o melhor para a sua família. Mães devem saber serem flexíveis e rígidos quando precisar.

A perfeição não existe. Mas existem milhares de maneiras de sermos boas e felizes. Para isso, o ideal é termos consciência sobre o que de melhor damos conta de fazer e não nos importarmos com o pensamento dos outros. Tenha certeza de sua escolha. Siga em frente e curta muito a sua vida ao lado dos filhos. Não tem tanta certeza? Pare, reflita e procure o melhor caminho para vocês.