Eu e Sophia temos basicamente a mesma idade mental e emocional.

Rimos dos mesmos desenhos, nas mesmas cenas e temos piadas internas que só têm graça pra nós. Por exemplo, basta um dos dois dizer “Doctor Sampson” que o outro explode de rir. Motivo? Nem tem, nem precisa.

O fato é que esses momentos da mais pura bobeira são um verdadeiro oásis no meio dos horários, dos compromissos, dos deveres, da hora de dormir, da correria.

Aquele momento em que é possível deixar de ser o pai que cobra, que exige, que corrige e passa a ser o pai de nove anos de idade, besta e engraçado que no fundo eu sempre sou, mas preciso esconder.

Por isso, uma das coisas mais gostosas é acordar Sophia e, em vez de apressar e partir pro desespero do dia que começa, chamar a mãe que está no nosso quarto.

– Fernanda?

– Oi!

– Vem cá, por favor, é importante!

E aí quando ela entra no quarto, perguntar com a maior cara de santo:

– Hoje tem Doctor Sampson?

E aí ficar gargalhando junto com a filha, sob o olhar divertido da mãe, como se nada mais importasse.