Uma das preocupações da família hoje em dia é a qualidade da alimentação dos filhos e, não
menos importante, a merenda escolar. Muitas dúvidas surgem diante dos apelos da mídia, produtos novos a cada dia, falta de tempo, sobre a conservação adequada, entre outros.

Amerenda é muito importante para garantir uma parte de suas necessidades nutricionais diárias, manter o nível de glicemia (alimento para as células) promovendo o desenvolvimento cognitivo da criança, ou seja, a criança que se alimenta melhor possui mais recursos fisiológicos para seu desenvolvimento, inclusive melhora no processo de aprendizagem.

Além disso, a merenda promove socialização da criança, uma vez que é realizada em ambiente propício para isso – a escola – onde a alimentação funciona como recurso de aprendizagem e relações sociais. E também pode ser usada como tema das diversas disciplinas escolares (ecologia, ciências, história e outras) e está muito relacionada com nossa identidade cultural.

Na última semana, nos deparamos com um debate virtual sobre a merenda escolar proveniente da exposição de uma nutricionista com representatividade na mídia – vide a foto que ilustra o post. Foram várias opiniões expostas, a grande maioria criticando os alimentos escolhidos.

Analisando a merenda em sua abrangência podemos refletir:

– Diante de tantos alimentos industrializados servidos na merenda, o retorno do natural é bom ou ruim? A merenda em questão possui apenas alimentos considerados saudáveis: sem conservantes, gordura trans, acúcares artificiais, sódio e calorias vazias. E ao mesmo tempo possui os nutrientes necessários a um lanche. Sendo assim: é muito boa.

– O fato da merenda em questão possuir alimentos que ás vezes não somos acostumados a consumir: é bom ou ruim? A cultura de uma população também é representada por sua alimentação. Comemos o que nos ensinaram e nos serviram desde que nascemos. O que é esquisito para outros pode ser normal para nós (quer um exemplo disso: o feijão!) e vice versa.

Desde que o alimento seja saudável, natural e faça parte do contexto social da família não devemos julgar sua aceitação. Então: as escolhas alimentares devem estar relacionadas com o efeito do alimento em nosso organismo (saúde) e de nossa cultura.

– A merenda em questão é acessível a toda a população? Talvez esse seja um ponto a se considerar. No caso em questão, nem sempre os alimentos escolhidos podem ser adquiridos por todos (como castanhas, por exemplo), mas possuímos sim opções de consumo saudável que podem atender à população mais carente, evitando os industrializados e prejudiciais.

A merenda possui um papel muito importante na criação de hábitos de alimentação saudável e também é um instrumento de aprendizagem para a criança que um dia vai representar seu papel social e  repassá-lo a seus filhos. Então, devemos nos perguntar: qual a herança alimentar gostaríamos de deixar para nossos filhos? Da batata doce com banana ou do biscoito recheado com suco de caixinha?

 
Dica do Na pracinha: após a polêmica da merendeira de sua filha na última semana, a nutricionista e apresentadora Bela Gil, explica neste excelente texto, sobre a merenda escolar ser regra e não exceção {leia aqui}