A maioria dos adultos é resistente à mudança porque tem medo do que é novo. Por esse motivo, acabam não sabendo como auxiliar os filhos a passarem pelas várias mudanças que acontecem em suas
vidas, como, por exemplo: mudança de escola, de cidade, de cuidador, da chegada de um irmão, mudança de série, de cada e de fase de desenvolvimento.

Assim como para os adultos é muito importante para as crianças se sentirem seguras. Normalmente a segurança é adquirida quando se tem total conhecimento e até mesmo um pouco de controle sobre as pessoas e o ambiente em que se está. Portanto, quando há qualquer modificação, por menor que seja, haverá um pouco de medo e insegurança.

Para que isso seja amenizado é muito importante conversar com a criança sobre quais serão as novidades e pontuar, principalmente, os pontos positivos, deixando com que ela própria exponha os pontos negativos e seus anseios.

Muitas vezes, a mudança não é programada, acontece de supetão e não há tempo para se preparar. Nesses casos, as inseguranças e medos costumam ser maiores, mas com um pouco de tempo e muita paciência e conversa tudo se resolve.

Frente a qualquer mudança, o primeiro passo  é analisar bem a situação e sempre lidar com a realidade. Pois criar expectativas falsas vai gerar frustrações verdadeiras e devastadoras.
É até comum ouvirmos que as crianças se adaptam mais rápido. Que não precisamos nos preocupar com elas, pois tiram de letra. Será que é assim mesmo? Temos que avaliar duas perspectivas: a primeira é quando a criança é bem novinha – até os 3 ou 4 anos – e ainda não tem fortes vínculos com os coleguinhas, por exemplo. O mesmo amiguinho que agora é o melhor amigo daqui a cinco minutos já não é mais. E por isso a adaptação é mais fácil sim. Mas por outro lado ela também vai sentir falta daqueles colegas, do ambiente o qual já estava habituada e, consequentemente, segura.

Portanto, sempre que possível não faça mudanças na vida e na rotina da criança sem avisá-la.
Sempre a prepare e justifique o porquê daquela mudança. E fique de olho porque haverá alteração de humor, de apetite, de sono e/ou de comportamento. E quando isso for percebido converse, tente acolher os medos e as inseguranças, e procure criar novamente o ambiente seguro e tranquilo que ela procura e precisa.

O desconhecido gera medo em qualquer pessoa, mas é obrigação dos adultos acolherem e amenizarem esse temor, Se isso não acontece, o medo se torna pânico, e a criança possivelmente se tornará um adulto conformado, inseguro e incapaz de correr atrás de seus sonhos. Consequentemente, infeliz e adoecido.

Para se conquistar o mundo é preciso se movimentar, correr atrás, ir ao encontro do desconhecido várias vezes e quebrar a cara, pois assim o ser humano se sentirá realizado. O friozinho na barriga que as mudanças causam deve ser o combustível da vida. Será ele que fará com que você e sua família continuem a viver. Pois se o medo os paralisar sempre ficará aquele sentimento de derrota e frustração. Desejo a todos que passeiam nessa “Praça”, que vocês sempre corram atrás daquilo que os faz feliz. Sem medo de mudar. Mas sempre analisando se é aquilo mesmo que você quer. Se aquela mudança é válida para você e sua família. E nunca mudar porque o outro quer.